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A maioria das pessoas

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A maioria das pessoas é gente exatamente como a ti. Tem flatulências, arrota, defeca, urina. Tem fome, sede, coceira. Sente dor, adoece. Também é gente que mascara a vida e comemora, escondendo de si a verdade existencial que a oprime.
A maioria das pessoas segue seus caminhos, ou divaga na imobilidade da inconsciência, da impotência consentida. É como a ti quando foges e dissimulas o teu sofrer. É intensamente humana e farsante, como só o ser humano sabe ser.
A maioria não tem privilégios dos outros todos, se o são por terem privilégios. Disfarça usando em subterfúgio uma máscara de horror e vomita sua tragédia no disfarce de risos às gargalhadas.
A maioria das pessoas é covarde e rendida. Não foi criada e educada para ser leão, mas para ser alimento de uma sociedade minoritária e que a escraviza.
A maioria das pessoas não passa de um fato matemático estatístico na economia do mundo e tudo que não se enquadra como dado positivo deve ser eliminado, pois sobrecarrega, é fardo.
A maioria das pessoas é anônima à nossa existência e só será conhecida de fato, quando entre a maioria das pessoas sinceramente e em profundidade nos apercebermos que também somos.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 12, 2017 em Pensamentos e Reflexões

 

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Quando a minha hora chegar

Máscara mortuária de Ludwig Van Beethoven

Máscara mortuária de Ludwig Van Beethoven

Quando a minha hora chegar,
Serei apenas sombra de uma árvore
Pousada a um canto da estrada.
Nada sei se serviu de aconchego
A quem possa ter servido de refúgio
Ao sol crestante do caminho.
O caminho era meu e meus olhos
Só viram o infinito de meu além.
Quando minha hora chegar,
Não sei se estarei calmo,
Ou se estarei agonizante,
Por inteiro conturbado.
Só sei, que nada agora que eu pense,
Possa ser tudo o mais além.
Pois, cada momento há de se vivê-lo
E não falseá-lo em fantasias.
Há de se sonhar,
Porém em passos dados.
Há que se fingir,
Mas se chorar frente ao espelho
E inda assim sorrir,
Se perdoando sem mágoas.
Bastam as águas
A escorrer pela face,
Arrancada a máscara,
Desfeito o disfarce.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 9, 2017 em Poesia

 

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Ícaro

Ícaro

Ícaro

Até agora,
Meu poema sangra em versos.
O bip das pontuações
Faz-se ser ouvido
Nas enfermarias dos meus devaneios.
São obscuras as horas
Sem certezas imediatas de medicação.
A cura já não me basta.
Aliás, nada me basta.
O abismo só me engole,
As asas de demônio ou anjo
Estão quebradas.
Não há voo.
Só há o arremesso à profundeza
De todas as minhas desilusões.
Minhas esperanças desfalecem
Como as penas de um pássaro abatido.
Trôpego, já me quedo
Enfim em um jazigo.
O túmulo que cavo
Do meu nenhum sentido.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 7, 2017 em Poesia

 

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Eu não busco mais nada

 

Constelação do Cisne.

O Cisne

 

Eu não busco mais nada.
Vivo das sombras
De um rascunho jamais publicado,
Pois se o fizesse,
Se assim o trouxesse à luz,
Crucificaria a humanidade inteira
Que ainda grita dentro de mim.
Nada em mim é razoável,
Nada é em mim senão quimera.
Caixa de Pandora:
Abra-se e meu mundo sucumbe.
Sou um derrotado.
Um naufrágio antecipado,
Uma rota ao desgoverno,
Fadada a ser engolida
Pelos monstros de minhas crenças.
Quem sabe meus absolutos
Se convertam em meras crenças
E se diluam em todas
As minhas constantes e imensas
Incertezas?
Quem sabe, sem qualquer alarde,
Eu me reconstrua em escuridão
Salpicada de estrelas
E todo o Universo habite em mim?
Quem sabe o que não sei
E o que haverei de ser se faça?
Quem sabe? Eu não sei.
Trago discursos de imagens,
Poesia fétida,
Respiração frente ao espelho.
Ele se embaça
E minha imagem se perde.
Sou apenas o que sou:
Um que caminha na névoa,
Engolido por todas as certezas
E, por completo,
Sequestrado por suas ilusões.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 6, 2017 em Poesia

 

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Reflexão

Namaste_gesture

Não desdenha da simplicidade e jamais sê cúmplice da arrogância.
Atende ao que carece, segundo o que te seja possível.
Não há modelo de beleza no mundo, há o que te agrada aos olhos.
Tudo gira como peças em um caleidoscópio. Acredite ou não, as mesmas. Por mais que formem novas imagens, são as mesmas peças.
Hoje tu vives, amanhã morres.
Jamais sê cruel com qualquer deficiência. Perdoa e compreende também as tuas, pois se não nasce em ti o perdão por tuas próprias limitações, jamais poderás compreender e perdoar as que te são alheias.
Porém, cuida em muito que não sejas cilada da soberba. Mal fundamentado na ignorância de que aqui todos nós carecemos da amplitude do poder absoluto. Que mesmo o mais poderoso dentre todos há de encontrar seu túmulo e que independa te todos os outros ou da natureza.
Livra-te do egoísmo, mas não te sujeite a dar àquele que não valorize a tua dádiva.
Sê simples.
Não te curves à derrota, aprende com os percalços. Forja tua vida pela esperança.
Jamais imponha tua fé. Questiona sempre teus conceitos.
Ama a liberdade, mas cuide que não destrua a de outrem.
Seja teu total ser, assim verdadeiramente tu mesmo. Isto já será, talvez, o ato mais heroico em tua vida que poderás praticar.

S. Quimas

 
 

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Filosofando

Chimpanzé

A primeira grande doença que assola o mundo se chama: certeza baseada em opinião pessoal.
A segunda: crença aparte fatos.
A terceira: aceitação por resignação, muitas vezes por covardia, ou mesmo cumplicidade.
Daí, advêm a terminal: inconsciência, permitida ou maliciosa.
Há mais verdade em fezes do que aquilo que a boca propaga.

S. Quimas

 
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Publicado por em fevereiro 4, 2017 em Outros Textos

 

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Estamos em época de Calígula

Dave Patchett - Civilização Perdida

Dave Patchett – Civilização Perdida

Estamos em época de Calígula. Aqui não é Incitatus promovido a senador, mas amebas parasitas. Os verdadeiros “grandes” demônios se ocultam na sombra e elegem seus asseclas. As mãos são extensões de braços ocultos. Não só aqui, mas em um plano para o mundo inteiro. Elegem heróis, destronam outros.
A verdade? Quem a poderá dizer?
A cada instante nos empobrecemos de clareza, nos esvaímos de fraternidade. Somos consumidores consumidos pelas retóricas. A todos os momentos construímos crenças, que não passam de falácias manipuladas.
E se o mundo acabasse agora? Não sei. Vejo a quase totalidade humana despreparada para a cooperação, vejo zumbis famintos. Gente que acredita que a porrada é a solução.
Bando de imbecis. Quem semeia e colhe e reparte é quem trás a divindade ao mundo. A verdadeira.
Somos uma aldeia esquecida. Ah, meu amigo! Sou um idealista idiota com uma ideia profana.
Acredito nos pequenos gestos de gentileza, de amizade e humanidade, aqueles do dia a dia, de cada instante. Aqueles que nos transformam, essencialmente. E, quiçá, a partir de nós o mundo inteiro.

S. Quimas

 
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Publicado por em fevereiro 3, 2017 em Outros Textos

 

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