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Arquivo mensal: março 2016

Do que adianta sonhar

Prometeu Acorrentado

Prometeu Acorrentado – Autor Desconhecido

 

Do que adianta sonhar,
Se quando desperto, a vida é mero pesadelo,
Miragem e delírio, uma ilusão atroz de mim mesmo?
Do que adianta ver,
Se a cegueira que enevoa minha visão,
Não passa do descaminho dos meus limites
E de toda curteza do meu entendimento?
Do que adianta ouvir,
Se tudo o que ouço é o grito infernal
E repetitivo de minhas súplicas,
Voz de meu desespero?
Do que adianta falar,
Se o vento de todas as tempestades de minha vida
Faz surdo tudo a minha volta?
Do que adianta?
Do que adianta se entregar,
Assim tão por completo,
Quando se entregar é atirar-se num abismo
E impensadamente, arremetê-lo sem asas?
Do que adianta ser,
Quando tudo se nega em sê-lo em si mesmo
E, de modo aviltante,
Só pesa, fere, corrói, consome e deturpa?
Do que adianta a vida,
Se a vida desfalece e murcha repentina,
Feito a flor precoce que morre aos primeiros raios de sol?
Não que a vida seja em si mesma o mal,
Não que os desprazeres sejam sua condição.
Contudo, pesa…
Do que adiantam, as muitas promessas e planos,
Se tudo isso se esvai num tropeço
E se escoa como a água que se derrama,
Assim rompida a taça?
Do que adianta?
Do que adianta amar
E digo amar de modo profundo,
Se amor é um caleidoscópio a sempre girar?
E toda a imagem de antes se transforma
E o que se tinha e o que se tem
É a toda inconstância de tudo o que se vive?
Do que adianta tudo:
O universo inteiro, Deus, o mundo,
Sem ti?
Do que adianta?

S. Quimas

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Publicado por em março 27, 2016 em Poesia

 

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Carta ao Povo Brasileiro

Bandeira Brasileira - Olho

Prometo em pleno domínio da minha mente, exercer por completo minha cidadania lutando pela liberdade de meu espírito, fundamentando minha irrevogável resolução na compreensão pessoal alcançada, até então, através de minha busca intensa e consciente e de que a minha sabedoria cabe a mim e só a mim serve, e chegando até o momento à conclusão inequívoca de que tudo o mais que não seja minha própria reflexão, não me diz e não me dirá respeito, seja direta, ou indiretamente, ou conduzirá à solução de minha existência e sanará a ânsia pelo conhecimento de mim mesmo.
Prometo não me calar jamais frente aos meus muitos e imensos limites e declará-los sempre abertamente, não por autopiedade e nem por me curvar aos que se dizem ilibados e senhores da ética e de todas as virtudes, nem complacente muito menos aos que se submetem por covardia ou acomodação, pela consumação da atitude de que lhes transformaram em rendidos dissimulados em vítimas. Perseverando assim na busca da verdade (da minha), por ser ela uma constante construção fundamentada em reparações e transcendência de conceitos, segundo o que alcancei, e não, em meu entendimento momentâneo, o absoluto agora do saber, o aval à crença de se obter a totalidade de qualquer tipo de conhecimento e crer que o que se sabe, assim é derradeiro e no futuro não possa ser reformulado.
Prometo perseverar pelo cumprimento de todos os objetivos pelo bem comum a que me propus no passado integralmente e pelos quais ainda me reafirmo hoje comprometido, desde que emocionalmente e intelectualmente seja capaz de cumpri-los, renegando o papel a mim de um “androide” e de não ser um ser humano dotado de emocionalidade e inteligência independente e imensamente sujeito a falhas e dúvidas, podendo fracassar e estar sujeito a todas as vicissitudes que me interpõe a vida. Porém, prometo de outra forma, não deixar que a desesperança me abata por completo e, me subjugando, elimine todo o poder de reação às minhas debilidades e vícios e possa sempre me consorciar à Natureza e à vida como um todo para frutificar em benesses.
Prometo, também assim, perseverar do mesmo modo em não me iludir e ser “parido” por quaisquer informações que me cheguem sem um exame apurado, quando em minha mente houver sobriedade e pesando os interesses por detrás de todas elas. Em não duvidar de manipulações, de interesses velados. Entretanto, nunca também, descrer da sinceridade e da ética.
Prometo, enfim, não ser algoz e nem vítima, portanto ser a exatidão de mim mesmo e não me sentir enlevado por tal, ou menor de modo algum, apenas o que sou: quem se questiona e a tudo e pelo pudor, não da desconfiança, mas pela busca da exatidão. Filósofo de minha vida, de mim mesmo, extasiado com tudo além, portador único de soluções “para mim mesmo” e para todos apenas “propositor de reflexão”. Alguém que bebe de toda fonte, mas só se sacia do que de fato vive.
Ao meu povo, o meu mais profundo desejo de esperança. Que seja um povo abençoado e não se arruíne na contradição por sua covarde acomodação em não tomar as rédeas de sua própria vida e render-se à secular mesmice enganosa. Que nestes quinhentos e poucos anos existidos, rompa com a servidão a próceres que o subjugam e que sempre o fizeram. Que deixe de chamar de doutor a quem não tem tal nível de formação. Que não veja na sua pobreza (não na sua miséria) uma humilhação, mas que busque pacificamente transformar sua realidade econômica e, principalmente, cultural. Uma cultura elitizada para uns poucos e de demagógica função de dependência de outros imensamente tantos.
Creiam: no Brasil não há democracia, jamais houve. Aliás, essa prega é falácia contumaz em qualquer época, em qualquer estado, ou algo assim constituído. Democracia é um conceito extremamente subjetivo que alimenta o acesso à incompetência, a abissais manipulações, à falsa imagem de liberdade. O estado de direito de fato (nisso, se houver a ruptura de fronteiras e considerarmos o planeta inteiro nossa pátria) seria o exercício pela competência e não o espúrio jogo de interesses. A cada um segundo seu dom natural, respeitando e amparando-o em seus limites, o modo como é de sua natureza naquilo a que de fato foi dotado para contribuir com todos.
Essa minha carta é a última e derradeira ao povo brasileiro — quiçá, ao mundo — enquanto o egoísmo, os interesses pessoais, o individualismo exacerbado e usurpador de toda a solidariedade, o narcisismo incontido, já explícito em muito na frase: “Deus é brasileiro”, se sobreporem à consciência de comunidade, mesmo de tribo, de que somos, ou que melhor, o que deveríamos ser a partir de nós, construindo o exemplo para os demais povos do mundo — muito devido às nossas facilidades naturais — e ainda pecarmos por nossa mais explícita mediocridade — sem querer ofender a uns raros entre nós pela generalização —, por nossas crenças absurdas, cuja principal é, creio, “dar um jeitinho”, quando que a sanidade e a lógica é sempre dar de fato “solução”. Enquanto formos caracterizados como senzala de escravos autossubmissos, coniventes com um sistema comprovadamente alienante e usurpador da razão e da possibilidade generalizada de realização pessoal integral, não falarei novamente mais ao meu povo. Não em tal tom.
Não há algo admissível ao flagelo masoquista a que meu povo se impõe e jamais admissível, em contrapartida, o seu caráter sádico em gozar com a derrota de um seu próximo, muitas vezes seu vizinho ou próprio familiar. Temos uma expressão infelizmente em nossa língua: “bem feito!”. A meu ver, tal coisa se caracteriza vingativa, gratuita e de uma baixeza sem termo.
A pátria (como conceito) é uma falácia, mas falo a meu povo de tal modo neste momento, pois só assim ele somente compreende devido o momento, é ao que foi acostumado. Seria dose imensa a todos irmãos de nascimento referir-se ao conceito de universo, seria tremendo vermos o quão, em total consciência, somos apenas um rasgo de terra e, além, os gigantescos oceanos. Lançarmo-nos do planeta e vermos a imensidão. Ir além, vermos o que é tal coisa na esfera do sistema (cabemos mais de um milhão de vezes em nossa estrela-mãe). E o nosso sol é apenas uma estrela anã-branca na borda da galáxia. Existem bilhões de outras estrelas somente em nossa espiral. Não queiram saber sobre uma estrela que encontramos, quantas milhões de vezes é maior que o nosso sol! E são bilhões de bilhões de galáxias existentes e muitas outras ainda não descobertas, muitas, até onde alcançamos imensamente maiores que a nossa. Há de se refletir…
Ainda aqui, nesse mundo de raymundos e de rudges, depende do sotaque que falam os pais, mas são os mesmos, lhes distinguem aviltantemente as classes sociais, Raymundo filho de fazendeiro e Rudge favelado. Mas, como diria, quanto ainda meu povo permanecerá renegando à cultura, melhor talvez à consciência, (não generalizadamente). Quase ninguém lê mais que duas ou três linhas. O sintoma? Conheço, sei da exatidão: raros lerão a isto, ou a qualquer outra coisa mais extensa.
(Aos que se deram ao trabalho da leitura: a minha mais profunda gratidão. De coração! São irmãos de minha alma. É um texto “imenso” que não rompeu duas páginas e em mim não há a esperança de mais do que dois ou três parágrafos, se tanto, de alguma leitura.
A vocês que cá comigo persistiram, deposito minha esperança.
Salve-se quem puder! Mas enquanto tivermos braços e mãos, quem os tenha, resgate a quem possa. Seja exatamente si mesmo… E permaneça assim.
Sendo-nos a nós mesmos, assim nos reconhecendo, nos sabendo, seremos capacitados a reconhecer o outro e assim sermos solidários de fato.)

A todos imensa luz e paz. Beijo-lhes.

S. Quimas

 
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Publicado por em março 19, 2016 em Poesia

 

Lua

Lua

Quando suave a sombra da noite
Se desnuda à luz
Da lua que nasce
Lá tão longe,
Coberta por seu manto de infinitas estrelas,
Sinto quão tamanha a grandeza
De toda a existência.
Percebo inteiramente assim,
De viver a sua essência.
E, basta-me somente isto…
Bastam-me os minutos de contemplação.
Não sei da vida outra razão,
Senão embevecer-se e admirar.
Será o homem capaz,
Com toda a sua ciência,
Com a sua toda arte
E a sua grandiosa filosofia,
Recriar apenas o êxtase
De contemplar a lua?
A lua é amante de todos os enamorados
E musa constante de todos os poetas.
Não é apenas um pedaço de rocha
Que gira no infinito,
Mas encarnação de sonhos
E testemunha de muitos amores.
Guia que descortina à noite
Caminhos que as trevas tentam engolir.
Miragem que desfalece
Roçando o azul do dia.
— Lua, se aqui não estivesses,
Jamais aqui eu estaria.

S. Quimas

 
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Publicado por em março 17, 2016 em Poesia

 

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Acabou…

Pierre Julien (French, 1731-1804) - Gladiador Morto.

Pierre Julien (French, 1731-1804) – Gladiador Morto.

Acabou…
Acabou o dia,
Apagaram-se as luzes,
Cessaram-se as vozes.
Só permaneceu no mundo
A trágica liturgia do silêncio.
Mas tudo não cessaria?
Não haveria de ter um termo?
Ainda a um naco de instante tudo era perfeito,
Porém desconstruiu-se em um lapso.
A Terra gira e nem uma esfera é,
Apenas um naco desforme,
Uma pedra sem forma agradável
Disfarçada por águas.
Uma imensa mistificação cósmica.
E todo o resto, o que é,
Senão o plágio do que ela suporta?
Não há outra possibilidade senão a quimera,
A farsa doentia de todas as crenças,
De tudo o que nos engana
E nos leva a crer em subterfúgios à razão.
Nossas mais caras crenças
Não resistem à consciência.
Por isso, somos aqueles que fogem,
Os que se iluminam de sombras
E somos apaixonados por tudo que é obscuro,
Sem sentido,
Torpemente velado por uma fé
A que não se interpõe questão,
Dogmas de imprecisão.
Somos esses remendos em andrajos de compreensão,
Agarrados a mistificações.

Acabou…
Nada mais resta,
Senão o dolo, o escárnio pela idolatria,
Pela renúncia descabida de si mesmo.
Pela covardia em lançar-se a esmo
Em não temer reencontrar-se,
Seja lá o que for a ser encontrado.
Pelo temor da novidade,
O mundo se pare na renovação de seus absurdos.
A estética é infame,
Um repetir de constante clausura em sua insensatez.
Nada mais se revela,
Não há luz bastante…
Tudo não passa de vaidade,
Da ridícula presunção de se saber
Aquilo que queimará
Nas páginas de um passado obsoleto.
Hoje se arregala os olhos
A toda imensa grandeza.
Amanhã se lamentará a mediocridade
Desse dia insignificante.
Quem sabe, valha mais o sorriso de uma criança
Do que todo o glamour do mundo?
Quem sabe?
Talvez, a grande sabedoria
Esteja em realmente não se saber,
Mas em se estar aberto a reaprender.
Em caminhar novamente os passos,
Em dar à vida, não caminho,
Porém pernas.

Ando meio cansado,
Meio, não, muito…
Esgotado, pelo bem da verdade.
Minha poesia só é lamento.
Contudo, o que se espera de um velho?
Eu já o era desde que nasci,
Assim, não chorei
No momento de vir ao mundo,
Mas lágrimas não me faltaram
Em meus muitos passos.
Ultimamente, creio,
Que seria melhor recolher-me no sótão
E de nenhuma forma dialogar
Em absoluto com ninguém…
Com nada.
Seja através de versos,
Seja não caminhar pela rua,
Em não dar de mim aparência.
Porém, a poesia me toma
E me seduz pela paga de seu grito.
Não tenho eu sido
Tão desgraçadamente mais isso?
Um grito que encarna muitas vozes,
Completamente possuído pelo mundo?
Algo em mim não me mata
E outro não me traz à vida,
E eu vou vivendo no limbo de mim mesmo,
Numa alternância de desencontros.
Ora mergulho na escuridão de tudo além.
Em outra reluzo em minha completa ausência.

S. Quimas

 
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Publicado por em março 16, 2016 em Poesia

 

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A vida me escarna em silêncios

Jules Bastien-Lepage - O Mendigo Cego

Jules Bastien-Lepage – O Mendigo Cego

A vida me escarna em silêncios,
Pois minhas palavras
São incompletas adivinhações.
Meus dizeres são toscos
E só revelam de mim
O lado mais obscuro de minha alma.
Por vezes algo se ilumina,
Mas feito mar revolto,
A vida me traga tal abismo
Que se abre a tudo levando.
Garganta voraz que consome
Aos dias todos e esgota as forças.
Quem me dera renascer-me morto:
Morto de minha covardia,
Morto de minha inércia,
Morto de minhas dúvidas,
Morto, enfim, de tudo que me causou mal
E de tudo o que possa me causar.
Não sou de poesia branda.
Em todas grito tudo o que há,
Tudo o que vem através de mim.
Não há em mim escolhas de palavras
E não busco encantamento
Que não seja a mágica
De tudo que em mim se faz sentir.
Não sinto pesar por minha leviandade,
Pela prostituição de mim mesmo
Ao me entregar, assim por tão completo,
À inspiração que me alicia.
Sou garganta de muitos
E muitos se apossam de mim,
Pois muitas são as vozes
Que por mim se fazem som.
Queria ser breve e não o fardo que sou,
Queria ser de dizeres brandos
E dizer em versos algo
Que fosse perfume e paixão.
Contudo a vida me fez fera
E meus versos sangram
A alma de quem os lê.
Pouco tempo resta em mim
Para declarar o grande vômito do mundo
E a aberração de tudo o que regurgita.
Porém, vou assim seguindo,
Tomado da mais profunda paciência,
Com o mundo ruminando
Seus sóis e seus eclipses.
Alguém há de caminhar sua “Via Crucis”,
Pois o mundo não tem pés
Que caminhem a sua ignomínia.
O mundo não tem estrada,
Vive a sua eterna prisão.
Sonha com uma liberdade
Que por completo desconhece.
Liberdade?
Pergunte ao mundo o que é
E, certamente, a sua
Será uma nova forma de prisão.

Hoje não há muita inspiração,
Há somente um gosto amargo
Na boca que declama meus versos.
Quem sabe amanhã tudo passe
E eu nem versos faça.
Que eu viva poesia,
Dessas que se vende em livros pueris
E só dizem de êxtases
E de versos de amores?
Quem sabe eu colha flores
Num caminho impossível
Com meu olhar apenas?
Quem sabe?
Quem sabe amanhã
O eu que sou
Seja outro
De mim mesmo?

S. Quimas

 
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Publicado por em março 16, 2016 em Poesia

 

Há um canto em mim

Namastê!

Namastê!

 

Há um canto em mim
Que ninguém conhece.
É assim como um jardim:
Flores aqui, outras ali,
Enfim, algo que encanta.
Existem ali também muitas palmeiras,
Uma via entremeadas delas,
Par a par.
Tem um lago onde patos e cisnes nadam
Despercebidos de toda a complexidade
Da vida. Somente nadam e por vezes
Alguma outra coisa,
Que só se vendo se saberá com certeza
O que exatamente é.
Há árvores floridas nesse canto,
Umas mais belas que outras,
Não sei precisar qual delas,
Amo-as todas.
Nesse pequeno espaço
Que há mim cabe a imensidão de um mundo inteiro.
Lá vejo uma praia e o mar,
As ondas quebrando,
A areia branca,
Que muitas vezes ferve.
Os pássaros em rebuliço
Escandalizando com seus muito gritos.
Nesse cantinho
O que há em mim de maior
Sobrevive a tudo o que há de grandioso
E mais mesquinho no mundo.
Ali guardo todos os meus menores
E também meus maiores sonhos.
Assim como a brincadeira de se esconder
Os ovos de Páscoa.
Estão todos eles lá semeados,
Ocultos na relva
Que habita o jardim.
Lá nisso tudo,
Perambula um menino,
Esse menino sou eu.
Não é de grande estatura,
É bem pequeno,
Tão pequeno quanto a grandeza imensa
De todos os seus mais caros sonhos.
Ah! Porque sonhar
Sabe mais do que todos os meninos.
Advinha nas nuvens coisas que jamais viram os olhos,
Sua alma habita toda a imensa possibilidade,
Arremessa-se ao infinito
E colhe luzes entre as estrelas.
Para o menino não há escuridão,
Pois como seria escuridão
O que o tempo haverá de consumir?
Ele não se preocupa exatamente com coisa nenhuma.
Sua vida é sorrir e brincar.
Não traz mágoas,
Pois não teve ainda tempo de vivê-las.
Tudo em si é música,
Tudo de uma harmonia imensa.
Mas fora do seu cantinho,
Tudo é sombra.
O menino jamais rompe a fronteira
De sua infinda infância.
Faz assim,
Transforma a dor de cada momento
Em poesia.

S. Quimas

 
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Publicado por em março 9, 2016 em Poesia

 

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Eu sou silêncio

Paisagem - Autor não Mencionado

Paisagem – Autor não Mencionado

Eu sou silêncio
Enquanto tudo grita dentro de mim.
Não há imagens,
Pois meus olhos enxergam o infinito.
Tudo é controverso,
Mas ainda assim,
De uma exatidão
Tão palmável quanto o prumo de um pedreiro.
Queria ser poeta
E assim poder revelar sentimentos…
Faço, se for, versos,
Contudo nunca me soube poeta.
Minha escrita é muitas vezes torpe,
Um nada atrás de outro,
Impreciso como uma adivinhação.
Muitos se queixam de minhas delongas,
Outros de minha “curteza”.
— A quem satisfarei?
Só satisfaço a mim mesmo
E à minha loucura.
Sou opróbrio de minha desventura,
A sarjeta da minha ignomínia,
O mais alto grau de tudo o que é vão.
Meus versos são pausas
Em minha imensa dor,
Pois fazem calar
E, assim, gritam o nó de minha garganta.
Sou como aranha,
Tecendo infindáveis redes,
Para assim pescar.
Ela? Alimento,
Eu? O imponderável.

S. Quimas

 
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Publicado por em março 4, 2016 em Poesia

 

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