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Não tenho mais tempo a perder

20 set

Menino africano

 

Não tenho mais tempo a perder
Com um mundo eivado por todas suas virtudes,
Pois não são elas, senão dissimulações
Dos abismos do simulacro
Do desconhecimento de sua real natureza.
A todo tempo se finge, se contem
E resta de si mesmo,
Um arremedo de contenções
E o que não se é de fato.
Quanta polidez no tiro certo
Do excremento de todas as crenças absolutas,
De todas as ideias que se consomem
Na cristalização e rigidez das posturas,
Que não admitem caminho,
Mas nada nos charcos da estagnação
E do preconceito movido por todo estereótipo.
Nada há de se lamentar jamais
Por passos jamais dados,
Pois mortos não caminham,
Regozijam-se na vitória de sua inércia
E de suas imutáveis crenças.
Consumam-se na ineficácia de sua não reação.
Não há que se gritar em mundo de surdos,
A voz não é sua linguagem,
A sua é outra, menos perturbadora,
Menos grave e acutilante.
Não há como descrever a cegos,
O quê, infelizmente,
Só a visão plena alcança.
Toda a imagem “traduzida” é fútil:
Jamais terá a amplitude da visão
Do sorriso sincero de uma criança.
O mundo se apega a miragens,
Dissolve-se em ódio a tudo estranho a si mesmo
E contempla a derrota da possibilidade,
Quando fechou as portas de seu túmulo
E lacrou suas paredes
A possibilidade de janelas:
Reinventar-se.

S. Quimas

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Publicado por em setembro 20, 2016 em Poesia

 

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