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Tem crise lá fora

27 set
Sri Krishna

Sri Krishna

Tem crise lá fora.
A chuva conspira
No silêncio das nuvens
Que tardam a se formar.
Eu diante do espelho,
Transfiguro-me
Na verdade do que não existo.
Não há em mim,
Senão o arremedo das horas,
Um tempo que não finda,
Pois jamais a ele pertenci.
Pertencem-me as horas todas minhas
— Aquelas que herdei
De todos os lapsos da realidade —
E todo o divagar.
Os sonhos todos e os delírios,
A poesia que me invade
E toda a loucura a que me dou.
Não há como negar
Todas as minhas imensas controvérsias.
São elas cicatrizes que me marcam
E desnudam meu corpo,
E desnudo,
Ímpio, profano,
Rompido de todo o preconceito,
Revelo-me por completo.
Mostro minhas frágeis asas,
Travisto-me de Ícaro
E me mascaro de palhaço,
Faço-me sonhar,
Mas ao mesmo tempo,
Imobilizo-me.
Cruel é a estrada à cegueira,
A tudo que se perde indelével em mim.
Meus momentos todos são cartas,
Todas elas que jamais escrevi,
Pois denunciariam a renúncia
Por tanto viver
E jamais me ter reconhecido,
Por tudo ter completamente vivido
E somente assim o ter.
Não há a menor glória em tudo isso:
O de ter somente caminhado.
Porém, tudo passa
E das memórias levo,
O tudo que jamais recordarei
De todo sonho que vivi,
Mas já ainda prossigo
Em direção ao fosso,
Não do que me torturasse,
Não daquilo que me tenha causado felicidade,
Porém, sigo, enlevado por desmemorias.

S. Quimas

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Publicado por em setembro 27, 2016 em Poesia

 

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