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Arquivo mensal: outubro 2016

Mandamentos

Gustave Doré, ilustração para O Paraíso Perdido.

Gustave Doré, ilustração para O Paraíso Perdido.

Não os mate a todos. Somente na proporção necessária para impingir o medo, para aterrorizá-los. Para que temam por si e por seus entes queridos, e estremeçam perante teu poder e tu os controle.
Torne-os ignorantes e crentes. Destrói-lhes o espírito. Faça que sintam gozo mórbido pelo sofrimento. Cria filosofias, doutrinas, religiões, que lhes nutra o masoquismo, o sadismo contemplativo e lhes ofereça uma recompensa que transcenda o agora, essa vida, porém inalcançável, improvável. Usa de sua simplicidade e fé como a uma vara, que lhes açoite até em seus sonhos.
Dá-lhes com que viver, mas não os convide ao banquete de tua vida. Reparte o mínimo possível e te acautela em não deixar de lhes oferecer esmolas. Dissimula bondade e os consola com algum alívio às suas imensas aflições. Porém, jamais de todo as suprima. Essa, tua grande barganha.
Instiga-os à ambição. Promete-lhes benefícios, corrompe-os, torna o ferro aparentemente em ouro e os condecore por sua estultícia. Faz com que aceitem que o que é menos seja grandioso. Assim, se sentirão reis, quando não passam de esmoleiros.
Cria muitos espaços e oportunidades ao debate inócuo, onde muito se diga e se discuta, mas de onde nada prospere e vingue em benefício. Consegue a maior repercussão possível e traz aparências que de fato há real intenção e interesse em mudar a situação desfavorável em benefício comum, quando de fato tudo não passa de dissimulação.
Massifica as más notícias e, deprimindo-os, transforma-os em indiferentes, rendidos, desesperançados, complacentes.
Espalha a crença que as coisas são o que são, pois sempre foram assim desde a origem. Aceitarão esse sofisma e não intentarão mudar nada.
Cria leis, regimentos e toda a espécie de regulamentação, e lhes dá aparência de benefícios. Depois, cria crises, instabilidades e retira qualquer conquista que de fato tenha sido benéfica à maioria.
Assim terás escravos que te alimentem indefinidamente a tua ganância. Serão subservientes, pouco ou nada questionarão e te farão alçar ao trono da mais completa dominação.
Sê companheiro dos “grandes”, mas não lhes vire as costas, acautela-te. Destruirão a ti na primeira oportunidade, se assim lhes aprouver, pelo motivo que tu desejarás a destruição de todos eles.

S. Quimas

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Publicado por em outubro 26, 2016 em Poesia

 

Quem poderia agora

Alexandre Cabanel - O anjo do entardecer

Alexandre Cabanel – O anjo do entardecer

À minha Meg Imbelissieri

Quem poderia agora,
Fazer-me sonhar?
Quem agora seria gozo e plenitude?
Quem seria linha de poesia,
Que de mim transborda?
Só tu e imensamente tu.
Queria ter a virtude de poeta,
Apenas para te dizer
Te amo.
E dizer de uma forma tão completa,
Que em te amando,
Seria assim tão repleta,
Que do amor que por ti sinto
O cálice da vida haveria de transbordar.
E tudo que falasse houvera de ser sagrado,
Pois tudo que declarasse,
Seria e era menor que sinto,
Pois melhor seria eu mudo,
Do que declarar na pequenez
Destes todos versos,
O quanto te amo e adoro,
Em todas as pequeninas coisas
E de modo infinito, absurdo.

S. Quimas

 
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Publicado por em outubro 26, 2016 em Poesia

 

Meu nome é Astaroth

 

Selo de Astaroth

Selo de Astaroth

Meu nome é Astaroth.
Demonizo vossas almas com provocações.
Vos deixo abalados
Com as mais comezinhas.
Esse o meu brinquedo.
Agonizais nas pasmaceiras de vidas infecundas
E achais grandezas construir
Templos ou casas?
Habitais em renúncias,
Na mais profunda de vossas próprias vidas.
Jamais sabereis de tudo.
Esse o segredo das esferas.
Não sabeis de vós mesmos.
Respondeis agora:
Quem sois?
Mas assim de modo exato
E completo,
Quem sois?
Gado, carne a ser consumida,
Manipulada e torturada,
Como sempre foi.
Bilhões de anos iludida.
Assim… O alimento de minha alma
Será a vossa tortura
E disso tudo farei poesia
E vossa humanidade crerá
Que vossa dor seja arte.

S. Quimas

 
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Publicado por em outubro 23, 2016 em Poesia

 
 
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