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Arquivo mensal: dezembro 2016

Eu vivo em um buraco escuro

Órion - Nebulosa "Cabeça de Cavalo".

Órion – Nebulosa “Cabeça de Cavalo”.

 

Eu vivo em um buraco escuro
Que se chama minha alma.
Mas minha alma é um céu noturno
Povoado de infinitas estrelas
E de todos os corpos celestes
Que nela possam caber.
Vivo a atemporalidade
De saber-me outro a cada momento,
Um caleidoscópio que gira
As eternas peças de meu destino;
De perder-me em mim mesmo,
Tamanha a infinitude de cada descoberta.
Vivo assim, descabido,
Tremendamente renunciando
A tudo que seja cerca,
Que se faça muro,
Que limite a contemplação de horizontes.
Não sou montanha,
Não tenho grandezas,
Sou de hábitos simples.
Prefiro a serenidade dos regatos
Que alimentam as florestas.
Prefiro o silêncio dos campos
E o marulhar de ondas em praias
Que quase não foram tocadas.
Eu vivo porque vivo
E assim simplesmente.
Sem o garbo de promessas
Que jamais se cumprem,
Sem a leviandade de crenças,
Que só trazem alienação.
Vivo minha inteira, nua,
Chocante realidade,
Minha profunda verdade.
Vivo o que vivo
E aquilo que a vida me dá.
Sou às vezes transgressor,
Confesso.
E se da vida tenho algo
É porque dela tenho furtado
Todos os imensos sonhos
E todas as mais caras fantasias.
Afinal, não sou poeta?
E de tudo o que é sonho
E as mais descabidas fantasias,
Não se repleta o meu ser?
Assim sigo.
E vivendo o viver,
O tempo passa.
Um dia me apago
Em luz de estrela que há de brilhar
No eterno infinito.

S. Quimas

 
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Publicado por em dezembro 30, 2016 em Poesia

 

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Hoje sou Khali, amanhã Vishnu

Sri Vishnu

Sri Vishnu

Hoje sou Khali,
Amanhã Vishnu.
E crio universos.
Sou a total possibilidade
De me ser assim completamente.
Digo das horas,
Das todas as névoas,
Da turvação
E de iluminados segundos.
Sou eclipse
E sol que abrasa os desertos.
Esferas que semeiam o Universo
E a escuridão que o permeia.
Sou o que sou
E, admitidamente, mais nada.
Quintessência de mim mesmo,
Jogo em minha própria vida.
A fábula e a realidade mais completa,
O vazio, a depressão, a tortura
E integralmente a felicidade.
Sou a mentira, a farsa
E a total verdade.
Sou poeta,
Alma repleta de tudo,
De tantos dizeres,
De tantos seres,
Como infindas são as humanidades.
O demônio que serpenteia
Nos mais obscuros abismos
E o anjo que voeja
Nos céus de infinitos azuis.
Sou luz e trevas…
Sou poeta.
Eu sou verso
E eterna possibilidade.

S. Quimas

 
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Publicado por em dezembro 21, 2016 em Poesia

 

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