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Sou uma lástima

24 jul
Ícaro

Ícaro

Sou uma lástima.
Não, não lamentem o que sou.
Sou exatamente
Esse algo indigno de piedade
E de todas piegas lamentações.
Sou a diáspora,
A ruptura de todo o senso,
A irracionalidade.
Alguém me perguntou
O porquê de eu viver o que eu vivo.
Respondi: vivo a minha tremenda
E insuperável idiossincrasia.
Sou isso que sou.
Seja torpe, leviano,
Doidivanas, irrequieto,
Feto abortado de consciência.
Hoje caminhei no mundo
E vi no cinza dos paralelepípedos
A minha alma tragada de desesperanças.
Não porque não tenha alegrias,
Mas as que tenho são uma infinidade
De coisas não construídas, ideais.
Castelos em nuvens diáfanas,
De possibilidades lúdicas,
Que divertem o Inferno de minha alma.
Já não tenho mais lucidez,
Basta-me a utopia
E a toda ruptura com a sanidade.
Aquieto-me a um canto,
Pois no silêncio me encontro.
Quanto grito de mim veio,
O rebater de minha alma atribulada.
Vou assim caminhando,
Não tenho mais asas
E se as tivesse,
Estariam como as de Ícaro.
Não há abismo em mim,
Há algo mais profundo,
Algo que nasceu antes de mim.
Não foram esses passos que dei,
Não esses pés,
Sequer meus gestos.
A dor que trago
Não pertence à Luz.

S. Quimas

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Publicado por em julho 24, 2017 em Poesia

 

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