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Arquivo do autor:S. Quimas

Sobre S. Quimas

Artista plástico, designer e escritor, nascido em 31 de março de 1961, em Nova Friburgo, na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, Brasil.

Hoje não

por do sol

Hoje não.
Hoje não quero nada maior,
Por mais significante que seja,
Que não o bater de asas de uma borboleta.
Hoje não quero versos demais e nem poesia
Tão complexa que não seja aquela
Que seja um só verso:
Eu te amo.
Não quero me dar a muito pensamento,
Nem a abstrações
De porque a Lua gira ao redor da Terra.
Isso tudo é muito importante,
Mas não hoje.
Hoje de nenhuma maneira.
Hoje quero apenas um por de sol alaranjado,
A brisa e o mar.
Se não tiver nada disso,
Que seja eu tudo e minha imaginação.
Hoje não quero nada que não seja o que quero.
Que eu seja meu desejo e nada mais
E que tudo se realise como mágica,
Que eu viva um conto de fadas
E no final seja feliz para sempre.
Hoje não quero dormir,
Pois amanhã posso acordar
E meu sonho se desfaça
Com o mais belo nascer do Sol.

S. Quimas

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Publicado por em setembro 9, 2017 em Poesia

 

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Eu não queria

Angelus - Jean François Millet

Angelus – Jean François Millet

Eu não queria…
Eu não queria,
Pois por simplesmente não querer.
Não queira ter dado o passo
E jamais ter caminhado em erro.
Não que de fato seja erro
Tudo aquilo que se vive,
Porém não vivo excluído do mundo,
Mas possa ser de mim mesmo.
Eu não queira ter abordado a vida
Estrangulando-a pela garganta.
Talvez, devesse ter sido mais ameno,
Não tempestade, mas sereno que cai
Em uma noite qualquer da existência.
Não queria ter procrastinado
E nem retardado o fim,
Começando tudo e nada ter arrematado.
Sou um colecionador de sonhos,
Um visionário consumido
Pela droga de se iludir.
No campo em que cultivo a vida,
Não há de se andar senão em nuvens.
Magníficas, aliás, só as lastimo
Quando me encobrem as estrelas.
Eu não queria ter tido a afeição
E, assim, derramado sobre mim,
Todo o amor recebido,
Que foi tão vilmente sequestrado,
Não por quem me tenha dedicado,
Porém pela minha inépcia
Em tê-lo alimentado.
Sou péssimo com tudo,
Um inapto, um destruidor da própria felicidade.
Contudo, toda vela é curta
E há de se apagar uma hora.
Minha alma não clama mais
Que de alguma forma não se extinga.
Já fiz o convite à festa.
Nela, na última valsa,
Enlaçarei à Morte.

S. Quimas

 
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Publicado por em agosto 6, 2017 em Poesia

 

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A dor em mim é tão completa

Prometeu

Prometeu

 

A dor em mim é tão completa
E dela minha alma
Assim tão repleta,
Que a ela, por companheira,
De todo se afeiçoou.
Melhor senti-la,
Do que o vazio do nada.
Melhor perder-se num sem sentido,
Por mais atroz que o seja,
Do que a crença vazia
Numa prece jamais atendida.
Melhor a ferida
Que de todo acutila,
Pois real,
Do que a malfadada esperança
Que jamais se consuma.

Meu corpo se verga
Diante do dilema de permanecer
Aprisionando minha alma.
O cativeiro se esvai
E o laço se enfraquece,
Tudo vai se diluindo,
Feito a névoa
Consumida pelo sol que teima
A renascer a cada dia.
Já não há luz
Em meu espírito aturdido,
Somente visões de quimeras.
Perco-me nos abismos dos desencontros,
Na tortura que me consome viver
Sem ter de fato existido-me.
Tudo é vão e soa oco.
Arremessado na montanha
Sou Prometeu torturado,
Um degradado do Olimpo,
Um deus sem preces
E destituído de todo o culto.
Algo em mim canta, é música,
Mas meus ouvidos estão surdos,
Morreram para toda a clareza.
Navego sem bússola,
Sem destino.
Sequer sei se para o abismo,
Ou para o Paraíso.
Tudo é tão diáfano,
Tão vilmente impreciso.

Como alguém há de suportar tanta dor?
Como há?

S. Quimas
28.VII.2017

 
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Publicado por em julho 29, 2017 em Poesia

 

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Sou uma lástima

Ícaro

Ícaro

Sou uma lástima.
Não, não lamentem o que sou.
Sou exatamente
Esse algo indigno de piedade
E de todas piegas lamentações.
Sou a diáspora,
A ruptura de todo o senso,
A irracionalidade.
Alguém me perguntou
O porquê de eu viver o que eu vivo.
Respondi: vivo a minha tremenda
E insuperável idiossincrasia.
Sou isso que sou.
Seja torpe, leviano,
Doidivanas, irrequieto,
Feto abortado de consciência.
Hoje caminhei no mundo
E vi no cinza dos paralelepípedos
A minha alma tragada de desesperanças.
Não porque não tenha alegrias,
Mas as que tenho são uma infinidade
De coisas não construídas, ideais.
Castelos em nuvens diáfanas,
De possibilidades lúdicas,
Que divertem o Inferno de minha alma.
Já não tenho mais lucidez,
Basta-me a utopia
E a toda ruptura com a sanidade.
Aquieto-me a um canto,
Pois no silêncio me encontro.
Quanto grito de mim veio,
O rebater de minha alma atribulada.
Vou assim caminhando,
Não tenho mais asas
E se as tivesse,
Estariam como as de Ícaro.
Não há abismo em mim,
Há algo mais profundo,
Algo que nasceu antes de mim.
Não foram esses passos que dei,
Não esses pés,
Sequer meus gestos.
A dor que trago
Não pertence à Luz.

S. Quimas

 
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Publicado por em julho 24, 2017 em Poesia

 

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Tenho sido outro

Rio

Tenho sido outro
Por toda a minha vida.
Outro que caminha nas ruas,
Um outro qualquer.
Tenho sido mais um outro,
Para quaisquer todos os outros,
Que na minha vida insignificante,
Não passam de transeuntes,
Numa estrada sem razão.
(Nenhuma filosofia, doutrina, religião
Há de me confortar
Em minha descabida ausência de mim mesmo).
Nos cumprimentamos e fazemos mesuras.
Gestos banais,
Vazios incomensuráveis,
De não reconhecimento,
Ou de nos reconhecermos assim: outros.

S. Quimas

 
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Publicado por em junho 2, 2017 em Poesia

 

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Aqui deixo

 

Daniel Sprick

Daniel Sprick

Aqui deixo
Minhas todas as memórias.
Não sei se fui torpe,
Sujo de linguajar,
Ou de certa forma contundente.
Talvez, pela dificuldade
De me expressar a contento,
De não ter certas as palavras
— com elas tenho lutado uma vida inteira.
Palavras não ofendem,
Nem são capazes de conquistar,
Mas sentimentos
E, talvez, motivações, sim.
Palavras são como vestes de nossos espíritos.
Dizem soberbamente de tudo
E podem ser apenas falsas
Premissas moldadas
Pelo oculto nosso descontentamento,
Ou fantasias de uma felicidade mascarada.
Há alegria em se viver, gozo.
Contudo, há às vezes dor
E a sensação de absoluto fastio.
A vida segue como um rio
De águas outras a cada instante,
Mas o mesmo rio
E mais absolutamente
Nada.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 30, 2017 em Poesia

 

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Tem hora que eu acordo

Delacroix

Tem hora que eu acordo
E dentro das horas tudo isso se anuncia pesadelo.
Não sei se sonho, ou deveras estou lúcido,
A vida para mim não passa de imprecisão.
Uns me acham isso, outros aquilo,
E eu mesmo jamais me soube.
Não porque não tenha filosofado,
Não porque não tenha pensado,
Não porque tudo.
Só sei que o mundo
É um tão completo absurdo
E minha louca consciência,
Se é que a tenho,
Também assim o é.
Outro dia, não me lembro de muito bem,
Mas não vem ao caso falar disso.
Nem sei porque falei,
Acredito que apenas para prolongar
E em não falar,
Chamar a atenção.
Isso que faço não é poesia,
Às vezes um arremedo e estrofes,
Que são cobertas que cobrem
A mendicância de meus versos.
Sou esse perambulante de mundo e de estrelas.
Um nauseabundo das virtudes declaradas
E um inconteste contraditor
De todas as virtudes declaradas.
Quão pobre tenho sido nas falências de minha ética,
Essa uma peneira rompida,
Vazada de todos os sóis das absolutas verdades.
Carrego asas,
Apenas para sobreviver voos
Nos abismos a que se arremessa
Por completo minha alma.
Quem dirá de mim
Num futuro de inexistência.
Tu?
A cruz que te marcou
Para todo o sempre
Por teres lido
Estes versos.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 30, 2017 em Poesia

 

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