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Reflexão

Namaste_gesture

Não desdenha da simplicidade e jamais sê cúmplice da arrogância.
Atende ao que carece, segundo o que te seja possível.
Não há modelo de beleza no mundo, há o que te agrada aos olhos.
Tudo gira como peças em um caleidoscópio. Acredite ou não, as mesmas. Por mais que formem novas imagens, são as mesmas peças.
Hoje tu vives, amanhã morres.
Jamais sê cruel com qualquer deficiência. Perdoa e compreende também as tuas, pois se não nasce em ti o perdão por tuas próprias limitações, jamais poderás compreender e perdoar as que te são alheias.
Porém, cuida em muito que não sejas cilada da soberba. Mal fundamentado na ignorância de que aqui todos nós carecemos da amplitude do poder absoluto. Que mesmo o mais poderoso dentre todos há de encontrar seu túmulo e que independa te todos os outros ou da natureza.
Livra-te do egoísmo, mas não te sujeite a dar àquele que não valorize a tua dádiva.
Sê simples.
Não te curves à derrota, aprende com os percalços. Forja tua vida pela esperança.
Jamais imponha tua fé. Questiona sempre teus conceitos.
Ama a liberdade, mas cuide que não destrua a de outrem.
Seja teu total ser, assim verdadeiramente tu mesmo. Isto já será, talvez, o ato mais heroico em tua vida que poderás praticar.

S. Quimas

 
 

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Filosofando

Chimpanzé

A primeira grande doença que assola o mundo se chama: certeza baseada em opinião pessoal.
A segunda: crença aparte fatos.
A terceira: aceitação por resignação, muitas vezes por covardia, ou mesmo cumplicidade.
Daí, advêm a terminal: inconsciência, permitida ou maliciosa.
Há mais verdade em fezes do que aquilo que a boca propaga.

S. Quimas

 
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Publicado por em fevereiro 4, 2017 em Outros Textos

 

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Estamos em época de Calígula

Dave Patchett - Civilização Perdida

Dave Patchett – Civilização Perdida

Estamos em época de Calígula. Aqui não é Incitatus promovido a senador, mas amebas parasitas. Os verdadeiros “grandes” demônios se ocultam na sombra e elegem seus asseclas. As mãos são extensões de braços ocultos. Não só aqui, mas em um plano para o mundo inteiro. Elegem heróis, destronam outros.
A verdade? Quem a poderá dizer?
A cada instante nos empobrecemos de clareza, nos esvaímos de fraternidade. Somos consumidores consumidos pelas retóricas. A todos os momentos construímos crenças, que não passam de falácias manipuladas.
E se o mundo acabasse agora? Não sei. Vejo a quase totalidade humana despreparada para a cooperação, vejo zumbis famintos. Gente que acredita que a porrada é a solução.
Bando de imbecis. Quem semeia e colhe e reparte é quem trás a divindade ao mundo. A verdadeira.
Somos uma aldeia esquecida. Ah, meu amigo! Sou um idealista idiota com uma ideia profana.
Acredito nos pequenos gestos de gentileza, de amizade e humanidade, aqueles do dia a dia, de cada instante. Aqueles que nos transformam, essencialmente. E, quiçá, a partir de nós o mundo inteiro.

S. Quimas

 
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Publicado por em fevereiro 3, 2017 em Outros Textos

 

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Que me roubem a poesia

Jovem cansado de sua cidade natal - Taryn Day

Jovem cansado de sua cidade natal – Taryn Day

Que me roubem a poesia,
Que dela se apossem e me tomem a autoria,
Que a trespassem com sinonímias,
A fim de disfarçar o plágio.
Não importa.
Não importa que a tinjam de outras cores,
Só não a macule com outros valores
E não deem a ela outro significado,
Pois assim serei mais do que roubado,
Serei extinto,
Definitivamente morto.
Que me roubem tudo,
Porém jamais a imaginação.
Que não me furtem o sonho,
Que não me destruam a capacidade de sentir.
Que me enlouqueçam
E me tornem assim,
Mais e inteiramente louco que eu seja.
Que me torturem
E em um abismo me arremessem.
Que arranquem minha língua,
Assim me tornando mudo,
Mas que deixem minha poesia gritar.

S. Quimas

 
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Publicado por em fevereiro 2, 2017 em Poesia

 

Nona Sinfonia

Máscara mortuária de Ludwig Van Beethoven

Máscara mortuária de Ludwig Van Beethoven

Como posso dizer ainda ao mundo,
Se todas as vozes em meus ouvidos
Calaram-se há muito?
Das notas melodiosas que toco,
Essas que cantam as canções de anjos,
Dos lumiares, de estrelas sem fim?
Como posso dizer das imensas grandezas
Que viajam em minha alma,
De todas as melodias que a invadem,
Que assim me tomam por completo?
Como posso, se meus ouvidos se emudeceram?
Como posso continuar a produzir,
Trazer a divindade que me invade,
Se como a cegueira, algo me tomou,
E meus todos caminhos são incertezas?
Como posso prosseguir se me amputaram as pernas,
Não essas que caminham deveras,
Mas a do dom celestial que a mim foi designado?
Como posso? Como posso prosseguir?
Tenho vivido entre os homens
E, de todo, os desconheço.
Tenho me negado, me encontro em abandono,
Porém persevero por todos.
Um dia seremos irmãos.
Ah! Um dia seremos.
Recusaremos todas as potestades
E seremos senão nossa imensa divindade.
Assim nos reconheceremos
Apenas
Filhos de Deus.

S. Quimas

 
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Publicado por em janeiro 1, 2017 em Poesia

 

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Eu vivo em um buraco escuro

Órion - Nebulosa "Cabeça de Cavalo".

Órion – Nebulosa “Cabeça de Cavalo”.

 

Eu vivo em um buraco escuro
Que se chama minha alma.
Mas minha alma é um céu noturno
Povoado de infinitas estrelas
E de todos os corpos celestes
Que nela possam caber.
Vivo a atemporalidade
De saber-me outro a cada momento,
Um caleidoscópio que gira
As eternas peças de meu destino;
De perder-me em mim mesmo,
Tamanha a infinitude de cada descoberta.
Vivo assim, descabido,
Tremendamente renunciando
A tudo que seja cerca,
Que se faça muro,
Que limite a contemplação de horizontes.
Não sou montanha,
Não tenho grandezas,
Sou de hábitos simples.
Prefiro a serenidade dos regatos
Que alimentam as florestas.
Prefiro o silêncio dos campos
E o marulhar de ondas em praias
Que quase não foram tocadas.
Eu vivo porque vivo
E assim simplesmente.
Sem o garbo de promessas
Que jamais se cumprem,
Sem a leviandade de crenças,
Que só trazem alienação.
Vivo minha inteira, nua,
Chocante realidade,
Minha profunda verdade.
Vivo o que vivo
E aquilo que a vida me dá.
Sou às vezes transgressor,
Confesso.
E se da vida tenho algo
É porque dela tenho furtado
Todos os imensos sonhos
E todas as mais caras fantasias.
Afinal, não sou poeta?
E de tudo o que é sonho
E as mais descabidas fantasias,
Não se repleta o meu ser?
Assim sigo.
E vivendo o viver,
O tempo passa.
Um dia me apago
Em luz de estrela que há de brilhar
No eterno infinito.

S. Quimas

 
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Publicado por em dezembro 30, 2016 em Poesia

 

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Hoje sou Khali, amanhã Vishnu

Sri Vishnu

Sri Vishnu

Hoje sou Khali,
Amanhã Vishnu.
E crio universos.
Sou a total possibilidade
De me ser assim completamente.
Digo das horas,
Das todas as névoas,
Da turvação
E de iluminados segundos.
Sou eclipse
E sol que abrasa os desertos.
Esferas que semeiam o Universo
E a escuridão que o permeia.
Sou o que sou
E, admitidamente, mais nada.
Quintessência de mim mesmo,
Jogo em minha própria vida.
A fábula e a realidade mais completa,
O vazio, a depressão, a tortura
E integralmente a felicidade.
Sou a mentira, a farsa
E a total verdade.
Sou poeta,
Alma repleta de tudo,
De tantos dizeres,
De tantos seres,
Como infindas são as humanidades.
O demônio que serpenteia
Nos mais obscuros abismos
E o anjo que voeja
Nos céus de infinitos azuis.
Sou luz e trevas…
Sou poeta.
Eu sou verso
E eterna possibilidade.

S. Quimas

 
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Publicado por em dezembro 21, 2016 em Poesia

 

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