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Ícaro

Ícaro

Ícaro

Até agora,
Meu poema sangra em versos.
O bip das pontuações
Faz-se ser ouvido
Nas enfermarias dos meus devaneios.
São obscuras as horas
Sem certezas imediatas de medicação.
A cura já não me basta.
Aliás, nada me basta.
O abismo só me engole,
As asas de demônio ou anjo
Estão quebradas.
Não há voo.
Só há o arremesso à profundeza
De todas as minhas desilusões.
Minhas esperanças desfalecem
Como as penas de um pássaro abatido.
Trôpego, já me quedo
Enfim em um jazigo.
O túmulo que cavo
Do meu nenhum sentido.

S. Quimas

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Publicado por em maio 7, 2017 em Poesia

 

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Do que adianta sonhar

Prometeu Acorrentado

Prometeu Acorrentado – Autor Desconhecido

 

Do que adianta sonhar,
Se quando desperto, a vida é mero pesadelo,
Miragem e delírio, uma ilusão atroz de mim mesmo?
Do que adianta ver,
Se a cegueira que enevoa minha visão,
Não passa do descaminho dos meus limites
E de toda curteza do meu entendimento?
Do que adianta ouvir,
Se tudo o que ouço é o grito infernal
E repetitivo de minhas súplicas,
Voz de meu desespero?
Do que adianta falar,
Se o vento de todas as tempestades de minha vida
Faz surdo tudo a minha volta?
Do que adianta?
Do que adianta se entregar,
Assim tão por completo,
Quando se entregar é atirar-se num abismo
E impensadamente, arremetê-lo sem asas?
Do que adianta ser,
Quando tudo se nega em sê-lo em si mesmo
E, de modo aviltante,
Só pesa, fere, corrói, consome e deturpa?
Do que adianta a vida,
Se a vida desfalece e murcha repentina,
Feito a flor precoce que morre aos primeiros raios de sol?
Não que a vida seja em si mesma o mal,
Não que os desprazeres sejam sua condição.
Contudo, pesa…
Do que adiantam, as muitas promessas e planos,
Se tudo isso se esvai num tropeço
E se escoa como a água que se derrama,
Assim rompida a taça?
Do que adianta?
Do que adianta amar
E digo amar de modo profundo,
Se amor é um caleidoscópio a sempre girar?
E toda a imagem de antes se transforma
E o que se tinha e o que se tem
É a toda inconstância de tudo o que se vive?
Do que adianta tudo:
O universo inteiro, Deus, o mundo,
Sem ti?
Do que adianta?

S. Quimas

 
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Publicado por em março 27, 2016 em Poesia

 

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