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Em algum canto de minha alma

 

Gaivotas

Em algum canto de minha alma
Busco silêncio e calma e não controvérsias.
Em algum lugar em mim
Há paisagens lindas, só calma.
Todos os dilúvios já passaram
E só restou a mim mesmo.
Contraponto do contraponto
De minhas todas crenças.
Algoz de minhas parcas virtudes,
Ser de uma inconstância de fazer inveja ao céu e suas nuvens.
Caleidoscópio.
Pedras que se movimentam no mistério,
Produzindo sempre outra imagem.
Apenas um jogo de espelhos,
Mas que jogo bem jogado!

O poeta sente,
Porém num jogo sem sentido.
Sente assim intenso e completamente.
Sente o que sente e todo os não sentidos da vida.
Outrora, havia razão… Hoje?
Hoje é apenas o prenúncio do amanhã.
Um tempo que não passa.
E, se passa, passa e se não percebe,
Ou se se percebe muitas vezes não se vive de fato.
Não por completo,
Não com a devida intensidade.
Nada há de razoável agora,
Só imenso delírio.
Completo castigo e prisão temporal.
Não duvido de nada,
Pois tudo é imensamente absurdo.
Como não poderia ouvir o grito de todas as coisas,
Acaso sou surdo?
Contudo, vejo que somente eu ouço,
Como um louco alucinado,
Um fadado a ouvir em mim todas as vozes
E ser intérprete do mundo.

Meu barco nem boa quilha tem,
Mas ainda assim navega.
Vem rompendo as esquinas e becos
Onde meu corpo se arremessa.
Corpo trôpego, movido de essencialidade.
Não seria mais simples ser superficial?
Para quê tanta filosofia e abstração?
Viver é isso?
Não. Talvez não.
Mas é o meu.
Um caminhar por estradas de pedra,
Um rebolar mais que o rebolado das meretrizes,
Um dizer pelo não dizer
E um afirmar contido de toda a incerteza.

Busco a vida,
Mas a morte é o meu fado.
Ao menos do andrajo que carrego,
O corpo que suporta meu espírito.
Tenho buscado pessoas neste mundo
Que sejam tão verdadeiras quanto os cães que vadiam na rua,
Porém não há.
Todos têm algo de oculto, de mistério,
Algo que se vela através de suas desilusões.
O mundo é imensa cortina
Que recobre a insuficiência da reta coragem
De se admitir falível.
Todos somos super-heróis,
Verdadeiros Aquiles frente à Tróia de nossos sonhos.
Puro delírio, somente isso
E mais absolutamente nada.
Nosso travesseiro se mancha com o mofo de nossas lágrimas
E nossos lençóis conhecem nossa insegurança
Mais perfeitamente que o coração de nossas mães.
Quem somos nós senão o produto de nossos delírios?

Agora me aquieto,
Pois meu pensamento é como chuva de verão.
Passou o tormento e chega de me aniquilar.
Basta de tudo. Basta…
A mente já não pensa.
Vem uma canção. Ela me nina.
Assim durmo.
Braços me envolvem,
Não sei se asas de anjos.
Não importa.
Somente quero aconchego.

S. Quimas

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Publicado por em fevereiro 8, 2016 em Poesia

 

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