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Reflexão

Namaste_gesture

Não desdenha da simplicidade e jamais sê cúmplice da arrogância.
Atende ao que carece, segundo o que te seja possível.
Não há modelo de beleza no mundo, há o que te agrada aos olhos.
Tudo gira como peças em um caleidoscópio. Acredite ou não, as mesmas. Por mais que formem novas imagens, são as mesmas peças.
Hoje tu vives, amanhã morres.
Jamais sê cruel com qualquer deficiência. Perdoa e compreende também as tuas, pois se não nasce em ti o perdão por tuas próprias limitações, jamais poderás compreender e perdoar as que te são alheias.
Porém, cuida em muito que não sejas cilada da soberba. Mal fundamentado na ignorância de que aqui todos nós carecemos da amplitude do poder absoluto. Que mesmo o mais poderoso dentre todos há de encontrar seu túmulo e que independa te todos os outros ou da natureza.
Livra-te do egoísmo, mas não te sujeite a dar àquele que não valorize a tua dádiva.
Sê simples.
Não te curves à derrota, aprende com os percalços. Forja tua vida pela esperança.
Jamais imponha tua fé. Questiona sempre teus conceitos.
Ama a liberdade, mas cuide que não destrua a de outrem.
Seja teu total ser, assim verdadeiramente tu mesmo. Isto já será, talvez, o ato mais heroico em tua vida que poderás praticar.

S. Quimas

 
 

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Eu vivo em um buraco escuro

Órion - Nebulosa "Cabeça de Cavalo".

Órion – Nebulosa “Cabeça de Cavalo”.

 

Eu vivo em um buraco escuro
Que se chama minha alma.
Mas minha alma é um céu noturno
Povoado de infinitas estrelas
E de todos os corpos celestes
Que nela possam caber.
Vivo a atemporalidade
De saber-me outro a cada momento,
Um caleidoscópio que gira
As eternas peças de meu destino;
De perder-me em mim mesmo,
Tamanha a infinitude de cada descoberta.
Vivo assim, descabido,
Tremendamente renunciando
A tudo que seja cerca,
Que se faça muro,
Que limite a contemplação de horizontes.
Não sou montanha,
Não tenho grandezas,
Sou de hábitos simples.
Prefiro a serenidade dos regatos
Que alimentam as florestas.
Prefiro o silêncio dos campos
E o marulhar de ondas em praias
Que quase não foram tocadas.
Eu vivo porque vivo
E assim simplesmente.
Sem o garbo de promessas
Que jamais se cumprem,
Sem a leviandade de crenças,
Que só trazem alienação.
Vivo minha inteira, nua,
Chocante realidade,
Minha profunda verdade.
Vivo o que vivo
E aquilo que a vida me dá.
Sou às vezes transgressor,
Confesso.
E se da vida tenho algo
É porque dela tenho furtado
Todos os imensos sonhos
E todas as mais caras fantasias.
Afinal, não sou poeta?
E de tudo o que é sonho
E as mais descabidas fantasias,
Não se repleta o meu ser?
Assim sigo.
E vivendo o viver,
O tempo passa.
Um dia me apago
Em luz de estrela que há de brilhar
No eterno infinito.

S. Quimas

 
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Publicado por em dezembro 30, 2016 em Poesia

 

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