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Queria eu matar a inocência

Male_Nude

Queria eu matar a inocência
Que ainda teima em mim,
Só para não sofrer a metade
De tudo o que sou,
Como criança que ainda
Busca o colo de meus desejos,
Balbuciando coisas desconexas
Entre o choro de minhas renúncias.
Queria o desapego dos versos,
Calar-me a um canto
Da escuridão de minha cegueira.
Não ser senão controvérsia silenciosa
De minha luz diáfana,
Borboleta morta
Nas teias de minhas incompreensões.
Queria tudo
Por não desejar senão o nada,
O pão do banquete
De tudo aquilo que jamais viesse a existir,
Da memória de tudo que jamais vivi
E jamais viverei.
Queria apenas descanso
No sepulcro onde enterrei todas
As minhas mais caras ilusões.
Queria a parede cuspida de gestos,
Dos quais minhas mãos
Jamais articularam,
Mas que meus sonhos
Projetaram na imensidão
Da tela de minha total inconsciência.
Queria… Como queria tanto.
E a mim, basta-me
A grandeza do nada.

S. Quimas

 
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Publicado por em abril 7, 2016 em Poesia

 

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Há um canto em mim

Namastê!

Namastê!

 

Há um canto em mim
Que ninguém conhece.
É assim como um jardim:
Flores aqui, outras ali,
Enfim, algo que encanta.
Existem ali também muitas palmeiras,
Uma via entremeadas delas,
Par a par.
Tem um lago onde patos e cisnes nadam
Despercebidos de toda a complexidade
Da vida. Somente nadam e por vezes
Alguma outra coisa,
Que só se vendo se saberá com certeza
O que exatamente é.
Há árvores floridas nesse canto,
Umas mais belas que outras,
Não sei precisar qual delas,
Amo-as todas.
Nesse pequeno espaço
Que há mim cabe a imensidão de um mundo inteiro.
Lá vejo uma praia e o mar,
As ondas quebrando,
A areia branca,
Que muitas vezes ferve.
Os pássaros em rebuliço
Escandalizando com seus muito gritos.
Nesse cantinho
O que há em mim de maior
Sobrevive a tudo o que há de grandioso
E mais mesquinho no mundo.
Ali guardo todos os meus menores
E também meus maiores sonhos.
Assim como a brincadeira de se esconder
Os ovos de Páscoa.
Estão todos eles lá semeados,
Ocultos na relva
Que habita o jardim.
Lá nisso tudo,
Perambula um menino,
Esse menino sou eu.
Não é de grande estatura,
É bem pequeno,
Tão pequeno quanto a grandeza imensa
De todos os seus mais caros sonhos.
Ah! Porque sonhar
Sabe mais do que todos os meninos.
Advinha nas nuvens coisas que jamais viram os olhos,
Sua alma habita toda a imensa possibilidade,
Arremessa-se ao infinito
E colhe luzes entre as estrelas.
Para o menino não há escuridão,
Pois como seria escuridão
O que o tempo haverá de consumir?
Ele não se preocupa exatamente com coisa nenhuma.
Sua vida é sorrir e brincar.
Não traz mágoas,
Pois não teve ainda tempo de vivê-las.
Tudo em si é música,
Tudo de uma harmonia imensa.
Mas fora do seu cantinho,
Tudo é sombra.
O menino jamais rompe a fronteira
De sua infinda infância.
Faz assim,
Transforma a dor de cada momento
Em poesia.

S. Quimas

 
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Publicado por em março 9, 2016 em Poesia

 

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