
Velho Mendigo – Vasily Tropinin – 1823
Gosto das pessoas que escrevem
Marcando fundo o papel da vida,
Daquelas que não têm temor
Pela irreverência e se expor por completo,
Das que sacodem a poeira e seguem,
Sem se reter se o cão lhes morde o traseiro.
Tenho me fascinado mais pelos loucos,
Por aqueles desacreditados
Pelas certezas e absolutos da sociedade.
Possa ser que ruminem o próprio vômito,
Mas jamais se banqueteiam
Nas fezes do clichê da conformação.
Não me interesso pelos pudicos,
Pelos estereotipados,
Por aqueles que perderam a capacidade de surpreender,
De renovar-se e transformar tudo à volta.
Não acredito naqueles que se consideram pobres,
Pois a maior de todas as riquezas é a vida
E toda imensa e tamanha história que se possa viver.
Não há romance maior do que tudo que se viva
E se possa escrever pela própria pena.
Gosto das pessoas límpidas, cristalinas,
Ainda que vivam a sombra e dias turvos,
Mas nem por isso deixam de seguir o rio
De sua existência, ainda que serpenteando
Pelas terras de suas dores e desilusões sem fim.
Gosto de pessoas que se alegram
Ou choram como crianças,
Que se dão por completo ao sentimento,
A emoção própria de cada momento,
Que sejam capazes de resguardar
Ainda dentro de si alguma inocência.
Gosto de pessoas
Que ainda possam ser
Humanas.
S. Quimas