RSS

Arquivo da tag: dúvida

A partir de agora declaro, como rei da minha consciência

Vasily Tropinin - Velho Mendigo (1823)

Vasily Tropinin – Velho Mendigo (1823)

A partir de agora declaro, como rei da minha consciência,
Que nunca se condene um beijo na boca de quem se ame.
Nem que toda a podridão do mundo grite e berre avessa,
Nem que falanges que se desacreditam de si mesmas se oponham,
Nem que tudo isso seja apenas o tudo que penso e nada mais.
Não importa, pois assim, em minha insana consciência,
Faço de tudo e de minhas falácias simplesmente assim decreto.
Que o degredo dos sábios seja motivado pelas estultícias dos estúpidos
E jamais pela consentida conivência, pela cumplicidade dos interesses.
Que se acalmem as águas, abaixo e acima dos céus,
Que caiam as máscaras e todos os véus se rompam em definitivo.
Que não haja mais segredos e nem verdades suprimidas,
Mas em que todo mínimo gesto haja simplesmente naturalidade.
Que não sejamos nossas parcas crenças e meras suposições,
Porém nossa mais simples e ínfima constatada verdade:
Apenas nós.
Que rompamos com os dizeres a nós muito ditos,
Que saibamos em nós mesmos os tantos infinitos
Que somos.
Que seja a dúvida a nossa vertical certeza
E somente o que de fato vivemos, a nossa fé.
Assim, simplesmente, o vivermos
E nos apaixonarmos pelo tempo de nossa existência,
De nossa real presença e assim gozarmos de vida.
Admito a ilusão e o devaneio, sou companheiro dos delírios…
Só não admito a morte, enquanto vivo,
De jamais sonhar.

S. Quimas

 
Deixe um comentário

Publicado por em fevereiro 16, 2016 em Poesia

 

Tags: , , , , , ,

 
%d blogueiros gostam disto: