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Arquivo da tag: eternidade

Não reconheço governo nenhum

Planeta Saturno

Planeta Saturno

Não reconheço governo nenhum,
Nem o de mim sobre mim mesmo.
Sou cidadão de todas as sensações que vivo,
De toda a idiossincrasia,
Sem rótulos, sem guaritas e medos abomináveis.
Não me precavi de mergulhos em abismos,
Somente me arremessei
E dei asas à vida
Sem ter qualquer certeza que as possuía.
Fiz de todo o fado delírio,
Fiz de quimeras e carrancas
O doce dos versos e de todas as visões.
Vivi e, assim por completo,
O que a vida me serviu por banquete.
Provei de amarguras, desilusões
E muitas vezes fui servido de pratos vazios.
Porém, vivi por completo
Mesmo toda a inexistência.
Não há em mim dor,
Mas por não sê-la
Dói-me tão intensamente
Quanto o parto de miríades de estrelas,
Explosão de luz na escuridão.
Queria ter sido muita coisa,
Ou apenas realizar,
Não que eu seja ou fosse o que faria,
Minha mão não é a semente
Que semeio no campo,
Contudo, jamais vou afirmar
Que não me transvista de tudo o que vivo
E que a tudo não incorpore.
Resta a poesia.
Ah, essa louca droga
Que me vicia e da qual não me desapego!
A ela eu não rejeito:
Que me sirvam os deuses pela Eternidade.
Agora me calo.
Cerro minha fala.
Não digo nada além,
Pois só quero tão somente
Uma vez mais me perder em sonhos.

S. Quimas

 

 
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Publicado por em junho 2, 2016 em Poesia

 

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Espere…

Arte: Alexander Voronkov

Arte: Alexander Voronkov

Espere…
Que em mim outros versos,
Vem assim, tão tolamente morrendo,
Nesses que escrevo.
São a renúncia à Eternidade,
O calabouço de tudo o que tenho criado,
A morte à mingua de um instante único
Que só pertencia ao seu tempo,
Aquele lá do qual foi furtado.
Agora, mofa nas páginas obscuras
De uma revelação descabida,
Um jorro de símbolos,
De grafismos em que não se enleia
O menor traço de sentimento,
Mas apenas um discorrer de palavras
Que se sabe lá!
Alguém há de entender.
Perdeu-se de seu rumo,
De seu porto de partida essencial
E está à mercê de um mar de infinitas interpretações.
Não quisera que houvesse sentido em tudo isso,
Nem que em versos se transformasse.
Que não houvesse forma,
Porém o mais puro e único sentimento.
Um sentir assim por completo,
Onde se calassem todas as palavras
E não houvesse sequer balbucio.
Não era para ser poesia.
De fato não,
Mas transbordou.
Talvez, para se lançar desse mundo plano,
No fim de todos oceanos
E morrer na infinitude
Das estrelas além.

S. Quimas

 
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Publicado por em abril 25, 2016 em Poesia

 

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Quero todas as tuas virtudes e vícios

Kate Elizabeth Bunce (1856-1927) - Melody

Kate Elizabeth Bunce (1856-1927) – Melody

Quero todas as tuas virtudes e vícios,
O teu corpo e os infinitos prazeres.
Do teu amor quero todos os artifícios,
Da tua boca de me amar todos os dizeres.

Quero permanecer contigo todas as horas,
Em todos os dias de nossa existência.
Fazer-te sempre os carinhos que tanto adoras,
Tratar-te com todo o desvelo e reverência.

Quero a tua mais completa felicidade.
Desejo-te a mais bendita e abençoada,
Que vivas em luz por toda a Eternidade.

Que pelo bom Senhor sejas a mais amada
E, que no Paraíso, possa eu te encontrar,
Para que pra sempre possamos nos amar.

S. Quimas

 
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Publicado por em abril 22, 2014 em Poesia

 

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