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Quero que a maior virtude dos homens

Menino Pensando - Autor desconhecido

Menino Pensando – Autor desconhecido

Quero que a maior virtude dos homens
Seja a imensa compaixão por si mesmos
E da mesma forma pelos demais.
E que, conscientes de suas limitações,
Perdoem-se mutuamente
Na mais absoluta sinceridade
E ajam na mais completa boa vontade.
Quero que se alienem da ganância,
Do egoísmo e de toda ostentação.
Quero a simplicidade,
Quero que toda a angústia passe,
Como se transforma o céu desfazendo nuvens.
Quero que todos os olhos se arregalem
E contemplem profundamente
A grandeza da vida.
Quero e assim desejo, de modo tão profundo,
Como o é todo o abismo celeste,
Que todos sejam capazes de estenderem as mãos
E promover o sonho da paz
E universalizem o amor irrestrito
E cooperar nas mínimas coisas.
Quero muito, talvez demais.
Dizem uns: utopia…
Pois quero exatamente tudo isso,
Por mais insano que seja,
Por mais sonho que tenha imaginado.
Eu sei que é possível,
Pois hoje eu vi uma flor
Nascer em meio ao calçamento.

S. Quimas

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Publicado por em maio 25, 2016 em Poesia

 

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Não me digam o que eu tenho que ser

Falcão ataca uma lebre
Não me digam o que eu tenho que ser,
Não me falem de suas supostas soluções
Para a única coisa que só me pertence:
A minha vida.
Todos têm soluções para tudo
E não aplicam à sua própria existência.
Se são tão fantásticas,
Por que dizem da infelicidade do mundo?
Se o mundo é absurdo
É porque permanecem na crença
De suas próprias soluções
E não vivem simplesmente a vida.
Arrastam numa carga imensa
Quimeras de sonhos e razões.
Quem já andou na rua e parou
Bem assim junto ao meio-fio?
Ali, simplesmente sentou
E simplesmente admirou uma flor pequenina?
Eu já. Fiquei horas.
Porém, eu sou insano,
A vida existe para os retos
E toda a minha é mais curva
Que a Terra.
Pessoas caminham por aí,
Mas não são seres,
Não são existência,
São apenas o que são.
Um dito sem frase,
Sem pontuação,
Uma controvérsia
Cheia de crenças,
De dizeres,
Uma balbúrdia e Babel
Infinita.
No metabolismo das coisas que do mundo ingiro,
Não restam senão fezes.
Delas nada se aproveita.
São somente contaminação.
Queria uma poesia suave,
Agradável ao ouvido,
Mas não.
Tudo é fardo, falência,
Desassossego.
Replico lamúrias
E já não sei se escrevo mais
Ou paro.
Simplesmente silencio minha voz.
Há os que tecem fios de ternura.
Sei ser brando
E até me aventuro em sonhos.
A realidade choca,
Essa desse mundo tacanho,
Não a que percebo além.
Demoro em meus versos,
Pois o que faço não é poesia
É somente agonia e grito,
Escândalo de minha alma
A alertar ao mundo o meu absurdo
De apenas ainda somente viver.
Um dia,
Serei sereno,
Um dia,
Quem sabe?
Quem sabe se minha poesia seja flor.
Nasça dessa toda podridão que inunda a tudo
E ela lhe sirva como esterco.
Só canso
E ainda assim sigo.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 2, 2016 em Poesia

 

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Do que adianta sonhar

Prometeu Acorrentado

Prometeu Acorrentado – Autor Desconhecido

 

Do que adianta sonhar,
Se quando desperto, a vida é mero pesadelo,
Miragem e delírio, uma ilusão atroz de mim mesmo?
Do que adianta ver,
Se a cegueira que enevoa minha visão,
Não passa do descaminho dos meus limites
E de toda curteza do meu entendimento?
Do que adianta ouvir,
Se tudo o que ouço é o grito infernal
E repetitivo de minhas súplicas,
Voz de meu desespero?
Do que adianta falar,
Se o vento de todas as tempestades de minha vida
Faz surdo tudo a minha volta?
Do que adianta?
Do que adianta se entregar,
Assim tão por completo,
Quando se entregar é atirar-se num abismo
E impensadamente, arremetê-lo sem asas?
Do que adianta ser,
Quando tudo se nega em sê-lo em si mesmo
E, de modo aviltante,
Só pesa, fere, corrói, consome e deturpa?
Do que adianta a vida,
Se a vida desfalece e murcha repentina,
Feito a flor precoce que morre aos primeiros raios de sol?
Não que a vida seja em si mesma o mal,
Não que os desprazeres sejam sua condição.
Contudo, pesa…
Do que adiantam, as muitas promessas e planos,
Se tudo isso se esvai num tropeço
E se escoa como a água que se derrama,
Assim rompida a taça?
Do que adianta?
Do que adianta amar
E digo amar de modo profundo,
Se amor é um caleidoscópio a sempre girar?
E toda a imagem de antes se transforma
E o que se tinha e o que se tem
É a toda inconstância de tudo o que se vive?
Do que adianta tudo:
O universo inteiro, Deus, o mundo,
Sem ti?
Do que adianta?

S. Quimas

 
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Publicado por em março 27, 2016 em Poesia

 

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