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Tem hora que eu acordo

Delacroix

Tem hora que eu acordo
E dentro das horas tudo isso se anuncia pesadelo.
Não sei se sonho, ou deveras estou lúcido,
A vida para mim não passa de imprecisão.
Uns me acham isso, outros aquilo,
E eu mesmo jamais me soube.
Não porque não tenha filosofado,
Não porque não tenha pensado,
Não porque tudo.
Só sei que o mundo
É um tão completo absurdo
E minha louca consciência,
Se é que a tenho,
Também assim o é.
Outro dia, não me lembro de muito bem,
Mas não vem ao caso falar disso.
Nem sei porque falei,
Acredito que apenas para prolongar
E em não falar,
Chamar a atenção.
Isso que faço não é poesia,
Às vezes um arremedo e estrofes,
Que são cobertas que cobrem
A mendicância de meus versos.
Sou esse perambulante de mundo e de estrelas.
Um nauseabundo das virtudes declaradas
E um inconteste contraditor
De todas as virtudes declaradas.
Quão pobre tenho sido nas falências de minha ética,
Essa uma peneira rompida,
Vazada de todos os sóis das absolutas verdades.
Carrego asas,
Apenas para sobreviver voos
Nos abismos a que se arremessa
Por completo minha alma.
Quem dirá de mim
Num futuro de inexistência.
Tu?
A cruz que te marcou
Para todo o sempre
Por teres lido
Estes versos.

S. Quimas

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Publicado por em maio 30, 2017 em Poesia

 

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Não me digam o que eu tenho que ser

Falcão ataca uma lebre
Não me digam o que eu tenho que ser,
Não me falem de suas supostas soluções
Para a única coisa que só me pertence:
A minha vida.
Todos têm soluções para tudo
E não aplicam à sua própria existência.
Se são tão fantásticas,
Por que dizem da infelicidade do mundo?
Se o mundo é absurdo
É porque permanecem na crença
De suas próprias soluções
E não vivem simplesmente a vida.
Arrastam numa carga imensa
Quimeras de sonhos e razões.
Quem já andou na rua e parou
Bem assim junto ao meio-fio?
Ali, simplesmente sentou
E simplesmente admirou uma flor pequenina?
Eu já. Fiquei horas.
Porém, eu sou insano,
A vida existe para os retos
E toda a minha é mais curva
Que a Terra.
Pessoas caminham por aí,
Mas não são seres,
Não são existência,
São apenas o que são.
Um dito sem frase,
Sem pontuação,
Uma controvérsia
Cheia de crenças,
De dizeres,
Uma balbúrdia e Babel
Infinita.
No metabolismo das coisas que do mundo ingiro,
Não restam senão fezes.
Delas nada se aproveita.
São somente contaminação.
Queria uma poesia suave,
Agradável ao ouvido,
Mas não.
Tudo é fardo, falência,
Desassossego.
Replico lamúrias
E já não sei se escrevo mais
Ou paro.
Simplesmente silencio minha voz.
Há os que tecem fios de ternura.
Sei ser brando
E até me aventuro em sonhos.
A realidade choca,
Essa desse mundo tacanho,
Não a que percebo além.
Demoro em meus versos,
Pois o que faço não é poesia
É somente agonia e grito,
Escândalo de minha alma
A alertar ao mundo o meu absurdo
De apenas ainda somente viver.
Um dia,
Serei sereno,
Um dia,
Quem sabe?
Quem sabe se minha poesia seja flor.
Nasça dessa toda podridão que inunda a tudo
E ela lhe sirva como esterco.
Só canso
E ainda assim sigo.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 2, 2016 em Poesia

 

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