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Passeio em minhas lembranças

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Passeio em minhas lembranças,
Estrada longa e intrincada
Como a teia de uma aranha.
Caminho leve e precavido
Para não me tornar prisioneiro.
Sou astronauta
De mundos há muito vividos,
Mas que não são solo firme.
Muitas vezes a realidade
Confunde-se com todos os sonhos
E os todos os meus desejos,
Daquilo que fora minha ânsia.
Quando folheio o livro de minha vida
As palavras todas se movimentam,
Feito o mar que jamais se acalma
E se faz maré a ir e vir
E roubar o sossego da areia.
Olho lá bem longe o horizonte
E vejo que já tive o desejo de cruzá-lo.
Enfrentaria o mar, todas as incertezas,
Apenas para saber o que há além.
Que fosse nada,
Que fosse tudo,
Que apenas coubesse em meus sonhos.
Eu era menino
E a grandeza da minha vida
Era ouvir todo o mar numa concha.
Quão era belo
E maior que tudo que tive depois.
Tenho deixado uma obra imensa e incessante,
Uma verborragia
Que atinge o limite da loucura.
Mas o mundo
Não deseja os loucos,
Se os quer,
Querem-nos trancafiados,
Mudos, ignorados.
O mundo é uma carga ao meu sonhar,
Torna-me lúcido,
Enquanto o que mais desejo é o delírio.
Sonhar em versos,
Florescer belezas,
Pintar de cores outras
Tudo o que já se pintou.
Tingir o céu de preto
Só para admirar estrelas.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 26, 2016 em Poesia

 

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As sombras das incertezas

Gustavo Courbet - Autorretrato

Gustavo Courbet – Autorretrato

As sombras das incertezas,
O tudo que não se declara,
O vir a ser e o nada.
Tudo vão,
Tudo imensamente nada.
O porquê de tudo,
O porquê de nada.
O simplesmente assim,
Um sem fim.
Gestos e palavras
E razão nenhuma.
Sombras de nós mesmos,
Arremedo de existências.
Dúvida e nada mais.
Por que seguir,
Se os caminhos são pedras
Que nos acutilam?
A poesia flui,
Mas eu estou paralisado.
Quem não está?
Já não ando
E nada em mim se aproveita.
Cego, já não vejo
E toda minha virtude é apenas viver.
Meus olhos se obscurecem,
Pois não veem mais.
A cegueira me domina,
Sou apenas um trôpego.
Mal caminho os horizontes indecifráveis
Da minha destruição.
Possa ser que faça canção,
Mas poesia não mais.
Tudo isso é dor,
A mais lancinante de todas
E sofro de tudo isso.
Sei de mim e nada mais.
Sei o que sofro.
E quem não?
Todos.
A diferença é que faço do sofrimento poesia.
Há quem se emocione,
Há quem objete.
Poesia é letra,
Uma infinitude de palavras
Muitas vezes sem o menor sentido.
Queria eu falar da aurora,
Mas o sol tarda em nascer.
Seria eu mais poeta
Por falar de coisas razoáveis?
Talvez melhor
Por jamais confessá-las…
Minha alma é um mundo inundado de sentimentos,
Algo tão desarrazoado,
Que jamais ciência ou filosofia
Há de resolver,
Quanto mais explorar.
A dúvida chega.
A loucura se espraia.
Serei em algum tempo razão?
Não.
Sou apenas o que sou
E nem um pingo a mais.

S. Quimas

 
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Publicado por em fevereiro 18, 2016 em Poesia

 

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Encerrei meu tempo

Rembrandt Harmezoon Van Rijn - Um Idoso em Trajes Militares

Rembrandt Harmezoon Van Rijn – Um Idoso em Trajes Militares

Encerrei meu tempo
Nesse jogo impreciso chamado vida.
Já fiz o que podia.
São tantas as feridas!
Minha alma é quase somente chagas.
Na praça, o realejo.
Velho matreiro e seu macaco.
Comprar-lhe-ia um bilhete,
Mas nenhum tostão no bolso,
Tão vazio como minha alma.
Vazio de mim mesmo,
De disputas para ver os versos
De quem os faria mais.
Nasceu ali no canto uma flor,
Mas já a mim não importa.
Notei… A flor.
Mas não importa mais,
Pois nada mais importa,
Pois não renasço mais.
Tudo viceja à minha volta,
Porém dentro de mim tudo sucumbe.
Simplesmente assim, sucumbe.
Minha alma é um deserto
Coalhado das flores de outrora.
Agora, ai agora!
Em outra hora
Eram sorrisos…
Agora, algo tão impreciso,
Que nem eu sei.
Tudo pode e tudo é nada.
Precisamente, pontualmente, nada.
O meu vizinho, imaginário,
Comemora a sua inexistente alegria.
Talvez um sofá novo, sei lá!
Não me importa.
E o que exatamente há de me importar?
Talvez o sonho que tive esta noite
E que já não me lembro?
Não tenho dúvidas,
As certezas de absolutamente nada
Já preenchem a totalidade da minha existência.
Um dia um grande poeta disse…
Nem disso me lembro,
Contudo me restou o sentimento
Daquilo que li.
Era belo, fabuloso,
E quando penso na pequenez
Da minha existência…
Nada sei de mais nada,
Nada sei.
O mundo gira
E eu com ele.
Um absurdo por constatar
Que tudo anda
E eu permaneço
Qual estaca fincada
Em meio ao campo
Sem a menor razão.
Que é ser poeta?
Um vômito de belezas?
Uma sina de revelações?
Dourar o que de pobre há?
Poesia é loucura,
A mais completa de todas as insanidades.
Poesia é revelar verdades,
Que só os sentimentos integralmente percebem.
Não desejei tal sorte,
Preferível talvez a morte.
Quem sendo são gostaria
De levar a carga do mundo?
A dor imensa de todas as almas.
E, pior, a sua.
A poesia clama, verseja, diz…
O que diz?
Meus ouvidos a ouve,
Mas me tortura o que ouço.
Vozes, muitas, me falam.
Estou embriagado de tudo isso.
Não é só a loucura
É a completa razão de sentir,
Assim por completo,
Assim enormemente.
Aqui tudo me devora
E me consome por completo.
Lá fora, umas gotas de chuva.
Amanhã, talvez eu acorde
E tudo será de novo
Possibilidade.

S. Quimas

 
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Publicado por em janeiro 31, 2016 em Poesia

 

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