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A maioria das pessoas

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A maioria das pessoas é gente exatamente como a ti. Tem flatulências, arrota, defeca, urina. Tem fome, sede, coceira. Sente dor, adoece. Também é gente que mascara a vida e comemora, escondendo de si a verdade existencial que a oprime.
A maioria das pessoas segue seus caminhos, ou divaga na imobilidade da inconsciência, da impotência consentida. É como a ti quando foges e dissimulas o teu sofrer. É intensamente humana e farsante, como só o ser humano sabe ser.
A maioria não tem privilégios dos outros todos, se o são por terem privilégios. Disfarça usando em subterfúgio uma máscara de horror e vomita sua tragédia no disfarce de risos às gargalhadas.
A maioria das pessoas é covarde e rendida. Não foi criada e educada para ser leão, mas para ser alimento de uma sociedade minoritária e que a escraviza.
A maioria das pessoas não passa de um fato matemático estatístico na economia do mundo e tudo que não se enquadra como dado positivo deve ser eliminado, pois sobrecarrega, é fardo.
A maioria das pessoas é anônima à nossa existência e só será conhecida de fato, quando entre a maioria das pessoas sinceramente e em profundidade nos apercebermos que também somos.

S. Quimas

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Publicado por em maio 12, 2017 em Pensamentos e Reflexões

 

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Gosto das pessoas que escrevem marcando fundo o papel da vida

Velho Mendigo - Vasily Tropinin - 1823

Velho Mendigo – Vasily Tropinin – 1823

Gosto das pessoas que escrevem
Marcando fundo o papel da vida,
Daquelas que não têm temor
Pela irreverência e se expor por completo,
Das que sacodem a poeira e seguem,
Sem se reter se o cão lhes morde o traseiro.
Tenho me fascinado mais pelos loucos,
Por aqueles desacreditados
Pelas certezas e absolutos da sociedade.
Possa ser que ruminem o próprio vômito,
Mas jamais se banqueteiam
Nas fezes do clichê da conformação.
Não me interesso pelos pudicos,
Pelos estereotipados,
Por aqueles que perderam a capacidade de surpreender,
De renovar-se e transformar tudo à volta.
Não acredito naqueles que se consideram pobres,
Pois a maior de todas as riquezas é a vida
E toda imensa e tamanha história que se possa viver.
Não há romance maior do que tudo que se viva
E se possa escrever pela própria pena.
Gosto das pessoas límpidas, cristalinas,
Ainda que vivam a sombra e dias turvos,
Mas nem por isso deixam de seguir o rio
De sua existência, ainda que serpenteando
Pelas terras de suas dores e desilusões sem fim.
Gosto de pessoas que se alegram
Ou choram como crianças,
Que se dão por completo ao sentimento,
A emoção própria de cada momento,
Que sejam capazes de resguardar
Ainda dentro de si alguma inocência.
Gosto de pessoas
Que ainda possam ser
Humanas.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 23, 2016 em Poesia

 

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