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Arquivo da tag: Poesia

Tem hora que eu acordo

Delacroix

Tem hora que eu acordo
E dentro das horas tudo isso se anuncia pesadelo.
Não sei se sonho, ou deveras estou lúcido,
A vida para mim não passa de imprecisão.
Uns me acham isso, outros aquilo,
E eu mesmo jamais me soube.
Não porque não tenha filosofado,
Não porque não tenha pensado,
Não porque tudo.
Só sei que o mundo
É um tão completo absurdo
E minha louca consciência,
Se é que a tenho,
Também assim o é.
Outro dia, não me lembro de muito bem,
Mas não vem ao caso falar disso.
Nem sei porque falei,
Acredito que apenas para prolongar
E em não falar,
Chamar a atenção.
Isso que faço não é poesia,
Às vezes um arremedo e estrofes,
Que são cobertas que cobrem
A mendicância de meus versos.
Sou esse perambulante de mundo e de estrelas.
Um nauseabundo das virtudes declaradas
E um inconteste contraditor
De todas as virtudes declaradas.
Quão pobre tenho sido nas falências de minha ética,
Essa uma peneira rompida,
Vazada de todos os sóis das absolutas verdades.
Carrego asas,
Apenas para sobreviver voos
Nos abismos a que se arremessa
Por completo minha alma.
Quem dirá de mim
Num futuro de inexistência.
Tu?
A cruz que te marcou
Para todo o sempre
Por teres lido
Estes versos.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 30, 2017 em Poesia

 

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Lançamento de meu novo livro

Apenas o Descansar em Teus Braços

Hoje estou lançando meu novo livro: “Apenas o Descansar em Teus Braços”. Um livro de poesias inéditas dedicado à minha mulher, Margareth Imbelissieri (Meg).
São poesias românticas e sentimentais.
Espero que gostem.
Para baixar gratuitamente, basta entar em minha página no blog:
https://quimas.wordpress.com/obra-literaria-de-s-quimas/ e seguir o link.
Luz e imensa paz.

S. Quimas

 
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Publicado por em novembro 10, 2016 em Notícias

 

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A névoa vem

S. Quimas - Renascer: Amanhecer no Pinheiral.

S. Quimas – Renascer: Amanhecer no Pinheiral.

A névoa vem
E mansa trespassa
A copa das imensas árvores
E mergulha serena na floresta.
Meus olhos se perdem
E minha alma deles não pede resgate.
Eu devaneio
E meu espírito embevecido
Deixa-se levar.
Vivo mil abraços,
O toque de miríades de folhas,
Esvoaçando por entre os galhos.
Já não é a névoa,
Sou eu quem se esguia
Vaporosamente pela mata,
É todo o meu ser em sonho,
A por completo percorrer
As entranhas da vegetação.
Aspiro perfumes:
O odor da terra húmida,
O cítrico cheiro dos pinhais.
Tudo é eternidade
E nada mais pode me assombrar.
Permaneço em silêncio
E em minha mente uma só voz fala,
Aquela que me enleia,
A da poesia que cantam
Todas as fadas
De todo o meu mais completo delírio.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 24, 2016 em Poesia

 

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Sofro nos meus versos

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Sofro nos meus versos
Como um cão imundo jogado à sarjeta.
Quem saberá de mim
Senão eu mesmo?
Eu que já não me sei
E por completamente me abandono.
Já cansei de minha poesia.
Ela assim só diz de mim
E de minhas totais renúncias.
Queria o veludo das situações
E não a aspereza dos fatos.
Mergulho num horizonte de cegueira
Ao qual nem a mim enxergo.
O que falo é balbucio,
Um esgar de contradições.
Meus céus são nuvens,
Não que nisso não haja beleza,
Mas quero o azul pleno,
O sol rasgado.
Ah, fado que me persegue,
Transtorno que me transtorna,
Morte que me ronda
Com ares de quem consola!
Se eu me liberto e por renúncia a que eu sou
E não pela controvérsias de opiniões.
Já de tudo que se passa
E aquilo que jamais vi ou senti,
Sou assim completo abandono
E minha única virtude é ser poeta
E derramar palavras.
Quisera ser mudo de mente,
Nada pensar e não ter nada a dizer,
Ser uma entropia.
Porém, algo me domina além da força que possuo
E me move a grafar com a pena
Aquilo que não é de mim
E que pertencente ao mundo por completo.
Sou sequaz da abstinência da humanidade
De toda a felicidade,
A encarnação de sua maldita falência.
Abandono-me sem rumo
Ao esmo de minha concupiscência,
Dos lastros de minhas dores,
Do sufocamento de minha total inconsciência.
Já não me atrevo à sorte.
Não a tenho.
Sou o andrajo de uma quimera,
O roto estado de minhas circunstâncias,
Um execrado que só delira.
Transformo em versos
As minhas mais contumazes vicissitudes.
E pergunto: para quê?
Melhor seria me calar.
Mas quem contém
Um vômito?
E eu fico aqui a psicografar
A mensagem tortuosa
De um mundo inteiro
E nada colho do canteiro
Senão a ausência de flores.
Nisto restam rumores,
Mas não a melodia da música.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 4, 2016 em Poesia

 

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O que é poesia e o que não é?

Caneta-tinteiro e papel com escrita.

O que é poesia
E o que não é?
Tudo é imensamente poesia,
Depende da visão
— de quem a tenha —
E se poesia queira enxergar
Naquilo que se percebe.
Pois é mais fácil a um verdureiro
Enxergá-la no germinar
E em todo o crescer de suas plantas,
Do que alguém comum de nossos dias,
Fazê-lo assim com tamanha naturalidade
E pleno gozo.
O mundo transborda de substitutivos ao prazer real,
Evita a simplicidade como se fosse lepra,
Torna-se distante de sua essência
E sucumbe nas garras da superficialidade.
O mundo é um amante
Que trepa com o lixo
E derrama o chorume
De sua inconsciência e mediocridade.

Queria falar de flores,
Do sol que nasce, ou se põe.
Queria ser agradável
E não o lamuriento que sou,
Mas não dá…
Quanto mais eu vivo,
Mais a morte se escancara para mim.
Não a minha própria, que será factual,
Mas aquela que caminha
Nos corpos dos transeuntes pelo que passo.
Não são corpos de quem de fato tenha vida,
Não passam de poeira
Deformada em aparência humana.

Isso que escrevo não é poesia.
Não tem canto, métrica, rima,
Não é canção…
É como um vomitar,
Um pôr para fora de mim,
Expurgar a dor de existir,
O tormento de sentir
O veneno que inunda o sangue do mundo.
Melhor se me calasse,
Não acrescento nada.
Melhor a mudez
Do que transformar em versos
A escuridão de meus dias.
Se ainda faço
É porque em meio à escuridão
Leio com os meus olhos estrelas.
Ainda que tudo se perca
E não haja outro amanhecer,
Ainda embalo como a um filho
A esperança
De só ter sonhado
E, assim, por completo
Ter vivido.

S. Quimas

 
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Publicado por em maio 1, 2016 em Poesia

 

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Queria que de mim só transbordasse amor

Anastasia Tillman (Stasi). aos treze anos - Autorretrato.

Anastasia Tillman (Stasi). aos treze anos – Autorretrato.

 

Queria que de mim só transbordasse amor,
Amor por tudo,
Por mim, pela minha amada e tudo o que há,
Mas não é assim.
Nem tudo é como se deseja
E muito pouco será,
Mas também não será
O desejo de quem nos quer matar num Inferno.
O Céu é uma chatice
De infindáveis cantos angelicais.
Tudo certinho demais.
Eu não amo à perfeição,
Amo, sim, tudo o que me é provocação,
Renascer e superar.
Se eu fosse de todo certo,
Não passaria de um chato.
Andaria pela minha rua
E não seria mais famoso
Do que a sombra que um poste projeta.
Contudo, na minha rua,
Sou conhecido pela minha irreverência,
Pois como alguém poderá
Em sua sã consciência
Viver de arte e poesia?
Eu não vivo disso e não sabem.
Vivo do que vivo
E vivo sem razão.
A poesia vem, a música, a arte.
Não tenho o menor domínio sobre isso,
Sou apenas a expressão do imponderável.
Tem dias que o sol me cresta a pele,
Noutros a lua me transfigura
E ainda em outro não há nada,
O mais absoluto nada,
Um vazio por completo,
Repleto de infinito inexistir.
A vida é a droga mais severa que já provei,
Pois desde meu princípio
Escravizo-me a seus ditames
E sei que a libertação
Será minha inexistência.
Não que eu tema a morte.
Ora já a sei desde um tempo
Em que todo o tempo se perdeu
Em tudo o que fui,
Mas que agora já não sou mais eu.
A morte não teria poder
Se todos não lhe rendessem homenagem.
O que há de se parir
Naquilo que se acabou?
Penso que às vezes penso,
Porém muitas vezes duvido
Que tudo o que penso
Pertence ao meu próprio pensamento.
Tenho sido assim uma espécie
De interlocutor do mundo
E minha poesia tem servido
Em muito à sua “Via Crucis”.
De fato, nem sei se poesia faço,
No muito, um despejar de minha imensa imaginação.
Poesia fazem os poetas,
Eu não…
Faço o que faço,
Digo o que digo.
Transborda de mim
A imensidão do meu momento,
Pois ele só a mim pertence.
Cansei de falar de coisas,
Já elas todas não me importam.
Não as ajunto,
Por elas não dou a menor importância.
Podem me acusar extravagante,
De insensível e mesmo de exótico.
Talvez o seja,
Mas não para mim.
Tenho me perdoado em meus limites
Desde que tive consciência de mim mesmo,
Se é que consciência
É saber-se em seus limites
E ainda insistir.
Quem sabe que a menina que sopra,
Ali, bem ali no parque perto de onde moro,
Uma bola de sabão,
Tenha maior revelação
Do que todos os meus versos
E toda minha imensa filosofia?

S. Quimas

 
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Publicado por em abril 8, 2016 em Poesia

 

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Há um canto em mim

Namastê!

Namastê!

 

Há um canto em mim
Que ninguém conhece.
É assim como um jardim:
Flores aqui, outras ali,
Enfim, algo que encanta.
Existem ali também muitas palmeiras,
Uma via entremeadas delas,
Par a par.
Tem um lago onde patos e cisnes nadam
Despercebidos de toda a complexidade
Da vida. Somente nadam e por vezes
Alguma outra coisa,
Que só se vendo se saberá com certeza
O que exatamente é.
Há árvores floridas nesse canto,
Umas mais belas que outras,
Não sei precisar qual delas,
Amo-as todas.
Nesse pequeno espaço
Que há mim cabe a imensidão de um mundo inteiro.
Lá vejo uma praia e o mar,
As ondas quebrando,
A areia branca,
Que muitas vezes ferve.
Os pássaros em rebuliço
Escandalizando com seus muito gritos.
Nesse cantinho
O que há em mim de maior
Sobrevive a tudo o que há de grandioso
E mais mesquinho no mundo.
Ali guardo todos os meus menores
E também meus maiores sonhos.
Assim como a brincadeira de se esconder
Os ovos de Páscoa.
Estão todos eles lá semeados,
Ocultos na relva
Que habita o jardim.
Lá nisso tudo,
Perambula um menino,
Esse menino sou eu.
Não é de grande estatura,
É bem pequeno,
Tão pequeno quanto a grandeza imensa
De todos os seus mais caros sonhos.
Ah! Porque sonhar
Sabe mais do que todos os meninos.
Advinha nas nuvens coisas que jamais viram os olhos,
Sua alma habita toda a imensa possibilidade,
Arremessa-se ao infinito
E colhe luzes entre as estrelas.
Para o menino não há escuridão,
Pois como seria escuridão
O que o tempo haverá de consumir?
Ele não se preocupa exatamente com coisa nenhuma.
Sua vida é sorrir e brincar.
Não traz mágoas,
Pois não teve ainda tempo de vivê-las.
Tudo em si é música,
Tudo de uma harmonia imensa.
Mas fora do seu cantinho,
Tudo é sombra.
O menino jamais rompe a fronteira
De sua infinda infância.
Faz assim,
Transforma a dor de cada momento
Em poesia.

S. Quimas

 
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Publicado por em março 9, 2016 em Poesia

 

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