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Hoje sou Khali, amanhã Vishnu

Sri Vishnu

Sri Vishnu

Hoje sou Khali,
Amanhã Vishnu.
E crio universos.
Sou a total possibilidade
De me ser assim completamente.
Digo das horas,
Das todas as névoas,
Da turvação
E de iluminados segundos.
Sou eclipse
E sol que abrasa os desertos.
Esferas que semeiam o Universo
E a escuridão que o permeia.
Sou o que sou
E, admitidamente, mais nada.
Quintessência de mim mesmo,
Jogo em minha própria vida.
A fábula e a realidade mais completa,
O vazio, a depressão, a tortura
E integralmente a felicidade.
Sou a mentira, a farsa
E a total verdade.
Sou poeta,
Alma repleta de tudo,
De tantos dizeres,
De tantos seres,
Como infindas são as humanidades.
O demônio que serpenteia
Nos mais obscuros abismos
E o anjo que voeja
Nos céus de infinitos azuis.
Sou luz e trevas…
Sou poeta.
Eu sou verso
E eterna possibilidade.

S. Quimas

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Publicado por em dezembro 21, 2016 em Poesia

 

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Encerrei meu tempo

Rembrandt Harmezoon Van Rijn - Um Idoso em Trajes Militares

Rembrandt Harmezoon Van Rijn – Um Idoso em Trajes Militares

Encerrei meu tempo
Nesse jogo impreciso chamado vida.
Já fiz o que podia.
São tantas as feridas!
Minha alma é quase somente chagas.
Na praça, o realejo.
Velho matreiro e seu macaco.
Comprar-lhe-ia um bilhete,
Mas nenhum tostão no bolso,
Tão vazio como minha alma.
Vazio de mim mesmo,
De disputas para ver os versos
De quem os faria mais.
Nasceu ali no canto uma flor,
Mas já a mim não importa.
Notei… A flor.
Mas não importa mais,
Pois nada mais importa,
Pois não renasço mais.
Tudo viceja à minha volta,
Porém dentro de mim tudo sucumbe.
Simplesmente assim, sucumbe.
Minha alma é um deserto
Coalhado das flores de outrora.
Agora, ai agora!
Em outra hora
Eram sorrisos…
Agora, algo tão impreciso,
Que nem eu sei.
Tudo pode e tudo é nada.
Precisamente, pontualmente, nada.
O meu vizinho, imaginário,
Comemora a sua inexistente alegria.
Talvez um sofá novo, sei lá!
Não me importa.
E o que exatamente há de me importar?
Talvez o sonho que tive esta noite
E que já não me lembro?
Não tenho dúvidas,
As certezas de absolutamente nada
Já preenchem a totalidade da minha existência.
Um dia um grande poeta disse…
Nem disso me lembro,
Contudo me restou o sentimento
Daquilo que li.
Era belo, fabuloso,
E quando penso na pequenez
Da minha existência…
Nada sei de mais nada,
Nada sei.
O mundo gira
E eu com ele.
Um absurdo por constatar
Que tudo anda
E eu permaneço
Qual estaca fincada
Em meio ao campo
Sem a menor razão.
Que é ser poeta?
Um vômito de belezas?
Uma sina de revelações?
Dourar o que de pobre há?
Poesia é loucura,
A mais completa de todas as insanidades.
Poesia é revelar verdades,
Que só os sentimentos integralmente percebem.
Não desejei tal sorte,
Preferível talvez a morte.
Quem sendo são gostaria
De levar a carga do mundo?
A dor imensa de todas as almas.
E, pior, a sua.
A poesia clama, verseja, diz…
O que diz?
Meus ouvidos a ouve,
Mas me tortura o que ouço.
Vozes, muitas, me falam.
Estou embriagado de tudo isso.
Não é só a loucura
É a completa razão de sentir,
Assim por completo,
Assim enormemente.
Aqui tudo me devora
E me consome por completo.
Lá fora, umas gotas de chuva.
Amanhã, talvez eu acorde
E tudo será de novo
Possibilidade.

S. Quimas

 
2 Comentários

Publicado por em janeiro 31, 2016 em Poesia

 

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