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Uma das maiores conquistas humanas é a razão

Fernão Capelo Gaivota

Fernão Capelo Gaivota

 

Uma das maiores conquistas humanas é a razão e essa parece perdida, ufanada pelo interesse e opinião pessoal sem o menor embasamento de causa. Se mergulha em crítica contrária, ou em apoio leviano, simplesmente por fé, ou ideologia com base em empatia.
A razão não é concordância com o pensamento próprio, mas tem por base o questionamento das motivações e fatos. É busca e não, aceitação consumada de opinião alienígena a sua especulação pessoal.
Há imensa diferença entre concordância e conivência. A concordância se baseia na similitude de conclusão e a conivência na exceção movida por interesse próprio ou em comum.
Via de regra, o comodismo nos imbeciliza. Somos genéricos manipulados pela opinião comum.
Que saudade de “Fernão Capelo Gaivota”!
S. Quimas

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Publicado por em abril 15, 2016 em Poesia

 

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Queria que de mim só transbordasse amor

Anastasia Tillman (Stasi). aos treze anos - Autorretrato.

Anastasia Tillman (Stasi). aos treze anos – Autorretrato.

 

Queria que de mim só transbordasse amor,
Amor por tudo,
Por mim, pela minha amada e tudo o que há,
Mas não é assim.
Nem tudo é como se deseja
E muito pouco será,
Mas também não será
O desejo de quem nos quer matar num Inferno.
O Céu é uma chatice
De infindáveis cantos angelicais.
Tudo certinho demais.
Eu não amo à perfeição,
Amo, sim, tudo o que me é provocação,
Renascer e superar.
Se eu fosse de todo certo,
Não passaria de um chato.
Andaria pela minha rua
E não seria mais famoso
Do que a sombra que um poste projeta.
Contudo, na minha rua,
Sou conhecido pela minha irreverência,
Pois como alguém poderá
Em sua sã consciência
Viver de arte e poesia?
Eu não vivo disso e não sabem.
Vivo do que vivo
E vivo sem razão.
A poesia vem, a música, a arte.
Não tenho o menor domínio sobre isso,
Sou apenas a expressão do imponderável.
Tem dias que o sol me cresta a pele,
Noutros a lua me transfigura
E ainda em outro não há nada,
O mais absoluto nada,
Um vazio por completo,
Repleto de infinito inexistir.
A vida é a droga mais severa que já provei,
Pois desde meu princípio
Escravizo-me a seus ditames
E sei que a libertação
Será minha inexistência.
Não que eu tema a morte.
Ora já a sei desde um tempo
Em que todo o tempo se perdeu
Em tudo o que fui,
Mas que agora já não sou mais eu.
A morte não teria poder
Se todos não lhe rendessem homenagem.
O que há de se parir
Naquilo que se acabou?
Penso que às vezes penso,
Porém muitas vezes duvido
Que tudo o que penso
Pertence ao meu próprio pensamento.
Tenho sido assim uma espécie
De interlocutor do mundo
E minha poesia tem servido
Em muito à sua “Via Crucis”.
De fato, nem sei se poesia faço,
No muito, um despejar de minha imensa imaginação.
Poesia fazem os poetas,
Eu não…
Faço o que faço,
Digo o que digo.
Transborda de mim
A imensidão do meu momento,
Pois ele só a mim pertence.
Cansei de falar de coisas,
Já elas todas não me importam.
Não as ajunto,
Por elas não dou a menor importância.
Podem me acusar extravagante,
De insensível e mesmo de exótico.
Talvez o seja,
Mas não para mim.
Tenho me perdoado em meus limites
Desde que tive consciência de mim mesmo,
Se é que consciência
É saber-se em seus limites
E ainda insistir.
Quem sabe que a menina que sopra,
Ali, bem ali no parque perto de onde moro,
Uma bola de sabão,
Tenha maior revelação
Do que todos os meus versos
E toda minha imensa filosofia?

S. Quimas

 
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Publicado por em abril 8, 2016 em Poesia

 

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