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Arquivo mensal: junho 2016

Não reconheço governo nenhum

Planeta Saturno

Planeta Saturno

Não reconheço governo nenhum,
Nem o de mim sobre mim mesmo.
Sou cidadão de todas as sensações que vivo,
De toda a idiossincrasia,
Sem rótulos, sem guaritas e medos abomináveis.
Não me precavi de mergulhos em abismos,
Somente me arremessei
E dei asas à vida
Sem ter qualquer certeza que as possuía.
Fiz de todo o fado delírio,
Fiz de quimeras e carrancas
O doce dos versos e de todas as visões.
Vivi e, assim por completo,
O que a vida me serviu por banquete.
Provei de amarguras, desilusões
E muitas vezes fui servido de pratos vazios.
Porém, vivi por completo
Mesmo toda a inexistência.
Não há em mim dor,
Mas por não sê-la
Dói-me tão intensamente
Quanto o parto de miríades de estrelas,
Explosão de luz na escuridão.
Queria ter sido muita coisa,
Ou apenas realizar,
Não que eu seja ou fosse o que faria,
Minha mão não é a semente
Que semeio no campo,
Contudo, jamais vou afirmar
Que não me transvista de tudo o que vivo
E que a tudo não incorpore.
Resta a poesia.
Ah, essa louca droga
Que me vicia e da qual não me desapego!
A ela eu não rejeito:
Que me sirvam os deuses pela Eternidade.
Agora me calo.
Cerro minha fala.
Não digo nada além,
Pois só quero tão somente
Uma vez mais me perder em sonhos.

S. Quimas

 

 
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Publicado por em junho 2, 2016 em Poesia

 

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